
Uma disputa imobiliária envolvendo a Igreja Nova Apostólica e os herdeiros do empresário Alberto Demena está a gerar polémica no bairro Cassenda, município da Maianga, em Luanda, com a família a acusar a instituição religiosa de tentar apropriar-se de um imóvel que ocupava inicialmente como inquilina, soube o Imparcial Press.
Segundo os herdeiros, representados por Paulo André Garcia Demena, a igreja instalou-se no imóvel situado na rua 9 há vários anos na condição de arrendatária.
No entanto, com o passar do tempo, a instituição terá deixado de pagar a renda, alegando posteriormente que teria adquirido a propriedade através de um familiar dos herdeiros, identificado como Sami, já falecido.
A família Demena contesta esta versão e afirma que a igreja nunca apresentou documentos claros que comprovem a suposta compra do imóvel, nem explicou em que ano a transacção teria ocorrido ou qual foi o valor pago pela propriedade.
Os herdeiros sustentam ainda que qualquer eventual negociação envolvendo o imóvel deveria ter sido feita directamente com os legítimos proprietários da herança, uma vez que apenas estes têm legitimidade legal para alienar o património.
De acordo com os familiares, foi apenas em 2019 que tiveram conhecimento de quem estaria a receber valores relacionados com o imóvel, facto que motivou o início de conversações com os responsáveis da igreja.
Desde então, os herdeiros afirmam ter manifestado interesse em resolver a situação através da venda formal do imóvel, dado tratar-se de um bem herdado pela família.
Contudo, após anos de impasse e pressão por parte dos proprietários, a igreja terá decidido abandonar o local e entregar as chaves do espaço.
Apesar de ter deixado o imóvel, a Igreja Internacional Nova Apostólica interpôs posteriormente uma providência cautelar de restituição provisória de posse junto da 1.ª Secção Cível do Tribunal de Comarca de Luanda, no âmbito do processo n.º 0195/2025-F.
Na acção judicial, a igreja alegou ter sido esbulhada com violência e afirmou desconhecer as pessoas que teriam retirado a sua posse do imóvel.
A família Demena rejeita categoricamente esta versão, afirmando que sempre manteve comunicação regular com membros da igreja, inclusive para facilitar o acesso ao espaço para retirada de bens e materiais que ainda se encontravam no local.
Segundo os herdeiros, a alegação apresentada ao tribunal não corresponde aos factos e teria como objectivo induzir o juiz em erro, tentando obter uma decisão favorável sem que a versão da família fosse previamente ouvida.
Para os herdeiros de Alberto Demena, o caso levanta sérias preocupações sobre a forma como algumas instituições tentam resolver disputas patrimoniais.
A família considera que, além de tentar reivindicar a posse de um imóvel que inicialmente ocupava como inquilina, a igreja terá recorrido aos tribunais com argumentos que classificam como enganosos.
O conflito permanece agora nas instâncias judiciais, enquanto os herdeiros defendem que o processo seja analisado com base no contraditório e na verificação rigorosa dos factos apresentados por ambas as partes.