Importância dos jogos electrónicos no mundo contemporâneo – Joaquim Xanana
Importância dos jogos electrónicos no mundo contemporâneo - Joaquim Xanana
video game

De uma maneira geral, os jogos podem ser evidenciados em ângulos diferentes, sobretudo por se reconhecer que sempre foram parte essencial da vida humana. São uma ferramenta que contribue na formação corporal, afectiva e cognitiva, sobretudo por ter uma característica lúdica.

Os jogos digitais são ferramentas valiosas no processo educativo. Oferecem a motivação e desenvolvem a persistência das crianças em idade escolar, tornando o aprendizado mais divertido e relevante.

Por conseguinte, a percepção desta temática tão actual releva-se pelo facto de a construção do conhecimento ser intrínseco à realização de actividades lúdicas, principalmente quando pensamos em actividades para a educação infantil e aos anos iniciais do ensino primário, pois nessa fase os alunos gostam de brincar e jogar.

Todavia, os jogos electrónicos e outros são grandes atractivos e criam, muitas vezes, preocupações aos pais, encarregados de educação e tutores. Socialmente, osjogos são vistos como sem valor educacional, o que resultou numa divisão entre os jogos comerciais e educativos. O impacto pode ser observado em nossa cultura, modo de nos relacionarmos e até em benefício da educação.

Para além disso, sinaliza-se a importância de se estimular outras actividades, para se evitar os efeitos negativos. Neste ponto particular, o equilíbrio e incentivo aos filhos, sobrinhos e netos a dedicarem-se em outras formas de lazer também, como brincar com os amigos, praticar alguma modalidade desportiva, ler livros, aprender a tocar algum instrumento musical ou falar outros idiomas, são algumas opções excelentes para o desenvolvimento destes.

Por via disso, torna-se interessante que sejam os pais, encarregados de educação ou tutores a estipularem um tempo máximo para recriação.

Dessa forma, não precisam abrir mão desse tipo de lazer, mas também não se privam de outras actividades. Uma dica é, esporadicamente, o de realizar os programas em família, que sejam totalmente off-line, se possível, ao ar livre — um exercício colectivo de fuga da internet e de aproximação familiar. Ou criar o cesto de casa, “caça dispositivos electrónicos” em período de convivência fraternal.

Há evidências de que o uso excessivo de variados jogos provoca graves consequências para as crianças, adolescentes e adultos. No entanto, se for aproveitado com moderação e de forma adequada, existem benefícios, já que oferecem grandes possibilidades de desenvolvimento pessoal, educacional e profissional.

Portanto, para evitar os efeitos negativos é fundamental a participação de todos na promoção de mudanças positivas. Estes devem estar sempre atentos aos seus comportamentos e garantir-lhes o equilíbrio para que o desenvolvimento aconteça da melhor forma possível. Evitando-os desta rotina, sobretudo os de natureza comercial, que são propensos, eventualmente, para os que têm fólego ou são de “barba rija”.

As tecnologias não são um mal de todo, somente pecam na irracionalidade dos seus utilizadores. Dessa maneira, são capazes de ajudar a lidar com situações adversas, porque estimulam a fazer escolhas mais assertivas sob pressão.

As habilidades impostas pelos jogos mais modernos auxiliam o cérebro de todas as idades. Esse tipo de recurso pode ser convertido para o ambiente escolar, por meio de ferramentas que auxiliam inclusive o aprendizado.

Outrossim, e com incidência noutras geografias, enfatiza-se sobre a indústria dos jogos de aposta (aviator, fortune rabbit, Ox, tiger, fruit party, jetx, sweet, mines, spaceman, sweet bonanza entre outros), que se traduzem em “fortuna ou azar”, em cuja actividade se arriscam elevadas somas de valores monetários ou objectos de valor pecuniário.

O apuramento dos resultados depende exclusiva ou principalmente da sorte ou azar de cada jogador que nele participem, permitindo a transferência de valores entre os participantes.

Este mercado, desde que devidamente controlado, ajuda a incrementar o investimento em infra-estruturas turísticas, nomeadamente na construção de casa de jogos ou casinos, cria empregos e pode ser uma importante fonte de receitas fiscais.

Em contrapartida, deve-se assegurar que a sua exploração é desenvolvida de forma justa, honesta e responsável, em observância ao quadro legal instituído, com os princípios e normas claras, definindo a distribuição das receitas, fixação de sanções, extensiva à sua supervisão e regime fiscal, além de fazer com que as receitas revertam para o desenvolvimento sociocultural.

Esta avaliação, eventualmente, colocar-nos-ia em harmonia com os países desenvolvidos na prestação desses serviços.

Este segmento, devia conformar-se com eventuais pacotes legislativos, compatibilizando-os com as acções formativas de consciencialização dos apostadores e de prevenção do transtorno do jogo patológico, bem como da proibição de participação de menores de 18 anos, especialmente por meio da elaboração de código de conduta e da difusão de boas práticas.

A participação nos ambientes de “jogos de aposta”, de forma negligenciada ou temperado no vício, terá o condão sobre as consequências graves e imprevisíveis, entre os quais na saúde mental, financeira, integridade recreativa e isolamento social.

Esta última com incidência na auto-exclusão sobre os colegas, vizinhos, amigos e familiares, fragilizando as relações humanas.

Todavia, além dos jogos electrónicos, existem muitas opções de cunho tradicional, como o “tabuleiro”, as cartas, o “stop” ou outros recursos simples que podem ser feitos em família, melhorando a relação entre pais, filhos, sobrinhos, netos e outros.

*Psicólogo

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