Incêndios florestais afectam 29% do território angolano
Incêndios florestais afectam 29% do território angolano
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O país tem registado uma taxa de desflorestação preocupante, com cerca de 3.720 quilómetros quadrados de florestas perdidas, anualmente, devido aos incêndios florestais, que afectaram aproximadamente 360 km², representando 29 por cento do território nacional.

A informação foi avançada, sexta-feira, em Luanda, pelo secretário de Estado para o Ambiente, Iury Válter de Sousa Santos, durante a 37ª Sessão Temática do Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2023–2027,que decorreu sob o tema “Programa de Protecção da Biodiversidade, Promoção da Economia Circular, Gestão das Substâncias Químicas e Educação Ambiental”.

Segundo o governante, as principais causas da desflorestação são a agricultura de corte e queima, a exploração ilegal de madeira, a caça furtiva e a produção de carvão, sendo que as províncias mais afectadas são Bié, Huambo, Huíla, Cuando, Cubango, Moxico, Moxico-Leste, Benguela e Cuanza-Sul.

A caça furtiva, disse, permanece como uma ameaça à fauna selvagem. Entre 2019 e 2024 foram registados 74 crimes ambientais nas áreas de conservação.

“Os elefantes, leões, leopardos e pangolins estão entre os animais mais afectados, atingidos pelo tráfico de partes de animais, procura por carne de caça, pobreza e falta de fiscalização”, explicou o governante.

Para enfrentar estes desafios, o Ministério do Ambiente (MINAMB) implementou a Estratégia Nacional e o Plano de Acção para a Biodiversidade 2019–2025, que já alcançou 70 por cento de execução.

A Estratégia Nacional e o Plano de Acção estão em processo de revisão para o período 2025–2030, alinhando-se ao Quadro Global da Biodiversidade da Convenção sobre a Diversidade Biológica em Angola. O país conta, actualmente, com 14 áreas de conservação, dez parques nacionais e quatro reservas naturais (Búfalo, Namibe, Huambo e Ilha dos Pássaros).

Segundo o secretário de Estado do Ambiente, o país tem registado progressos significativos nestas áreas, com investimentos em infra-estruturas, o repovoamento de espécies, aquisição de equipamentos e formação de fiscais.

No âmbito da iniciativa 30×30, o país compromete-se a proteger 30 por cento das suas terras e águas até 2030. O Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) inclui a criação de quatro novas áreas de conservação – três terrestres (Morro do Moco, Serra do Pingando e Floresta da Cumbira) e uma marinha.

A conservação marinha, explicou, também avança na região do Tômbwa (Namibe), que possui características únicas e exige uma abordagem diferenciada. O reforço da fiscalização foi essencial em todas as áreas de conservação que contam actualmente com fiscais.

Iury Valter Santos lembrou que na área da tecnologia foram instalados drones, lanchas e viaturas todo-o-terreno para garantir patrulhamentos mais eficazes. De igual modo, foram capacitados 258 ex-militares como fiscais ambientais para vários parques.

Para a protecção de espécies, frisou, destacam-se medidas como a instalação de coleiras em elefantes e palancas, iniciativas fundamentais para o combate à caça furtiva e mitigação de conflitos entre humanos e animais.

Anunciou, ainda, a translocação de 500 elefantes do Botswana para o Parque Nacional do Luengué – Luiana, nas províncias do Cuando e Cubango.

Sobre a emblemática Palanca Negra Gigante, o governante disse que estimativas apontam para cerca de 360 espécies, 160 no Parque Nacional de Kangandala e 200 na Reserva Natural Integral do Luando.

Já a nível económico, explicou, o Ministério do Ambiente aposta na conservação como motor de criação de empregos e desenvolvimento das comunidades locais.

O secretário de Estado para o Ambiente disse que o país conta com áreas muito extensas que precisam de conservação, mas os desafios financeiros têm travado os projectos de controlo existentes.

Entretanto, o sector acredita que, com a implementação do projecto de conservação em parceria com o Ministério do Turismo, vai ser possível cumprir as políticas do Estado de promover a criação de empregos nas áreas de conservação da biodiversidade.

“O crescimento económico é fundamental para as comunidades que vivem nas áreas de influência dessas zonas de conservação”, lembrou o governante.

in JA

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