
A directora-geral do Instituto Nacional de Sangue (INS), Deodete Machado, revelou esta quinta-feira, 7 de Agosto, no Soyo (província do Zaire), que 80% do sangue utilizado nas unidades hospitalares de Angola provém de doações feitas por familiares de pacientes, enquanto apenas 20% são fornecidos por dadores voluntários.
O dado foi apresentado durante a segunda reunião regional sobre hemoterapia em Angola, e levanta preocupações quanto à segurança e à sustentabilidade do sistema de transfusões no país.
Segundo a responsável, estão em curso campanhas de sensibilização para incentivar a doação voluntária, bem como investimentos nos serviços laboratoriais e na capacitação de profissionais de hemoterapia.
Deodete Machado sublinhou que o objectivo é garantir acesso atempado a sangue seguro, especialmente em sectores com maior necessidade de transfusões, como urgências por acidentes rodoviários, malária grave, insuficiência renal, cirurgias cardíacas e oncologia.
“Precisamos de uma reserva mais alargada de sangue nas nossas unidades de hemoterapia”, apelou, acrescentando que, numa população estimada em 33 milhões de habitantes, seria ideal que pelo menos 1% da população se tornasse dadora regular.
A doação voluntária, conforme recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), proporciona sangue mais seguro por permitir cumprir rigorosamente os critérios técnicos de triagem clínica, testagem, colheita, conservação e administração.
A dirigente do INS também destacou os avanços registados na medicina transfusional em Angola, resultantes dos investimentos do Executivo em equipamentos modernos e na formação especializada de técnicos. Neste momento, sete médicos encontram-se a especializar-se em Imuno-hemoterapia e Hematologia, em Luanda.
A reunião, que decorre durante dois dias, reúne 45 técnicos das províncias do Bengo, Uíge e Zaire e aborda temas como boas práticas na colheita de sangue, diagnóstico clínico em hemoterapia e condutas observadas no quotidiano da actividade transfusional.
Os participantes têm acesso a formações práticas e teóricas ministradas por especialistas do INS, focadas em tipagem de grupos sanguíneos, imuno-hemoterapia e estudos laboratoriais avançados.
Esta iniciativa sucede à primeira edição da reunião regional, realizada em 2023, no Caxito (província do Bengo), reforçando o compromisso com um sistema de transfusão mais seguro e eficiente em Angola.