“Instabilidade cambial e fiscal em Angola afastam investidores americanos”, diz Pedro Godinho
"Instabilidade cambial e fiscal em Angola afastam investidores americanos", diz Pedro Godinho
Pedro Godinho

O presidente da Câmara de Comércio Americana em Angola, Pedro Godinho, revela que, em 2023, as diferenças cambiais provocaram um prejuízo acima dos nove milhões de dólares aos membros da instituição.

“A falta de estabilidade cambial, fiscal e o alto nível de burocracia em Angola ameaçam investidores americanos”, afirma o presidente da Câmara de Comércio Americana em Angola (AmCham-Angola), Pedro Godinho.

Falando no final de um encontro de negócios, realizado há dias, em Luanda, Pedro Godinho disse que há alguns membros [da AmCham-Angola] que enfrentam dificuldades de obter um visto de trabalho.

“Por exemplo, está aqui, há mais de seis meses, uma country manager de uma empresa muito famosa, número dois nos Estados Unidos da América, e não consegue um visto de trabalho”, avançou, sem, no entanto, revelar o nome da aludida empresa. “Há uma desmotivação muito grande”, enfatizou o responsável.

O empresário acrescentou que “mesmo a nível da direcção deles, consideram que Angola é um mercado muito complicado para trabalhar, sendo que muitas vezes precisam trazer técnicos para poderem dar o apoio”. “Infelizmente, isso não acontece”, lamentou Godinho.

Na sequência, o presidente da Câmara de Comércio Americana em Angola fez saber igualmente que existe um outro membro que está a ponderar sair do mercado angolano, porque não consegue importar matéria-prima de que necessita para manter a indústria a funcionar.

“Trata-se de uma indústria com mais de 400 trabalhadores. Há dificuldades de convertíveis, os pedidos estão postos a nível dos bancos e não conseguem ver autorizado o pagamento lá fora”, explicou.

Pedro Godinho considerou o problema “mais sério”, lembrando que “o Presidente Joe Biden anunciou 200 mil milhões de dólares para serem consumidos em cinco anos no desenvolvimento do continente africano”.

Entretanto, sublinhou, esses recursos financeiros que são anunciados e postos à disposição não serão dados directamenmte aos empresários. “Aliás, os Estados Unidos fazem isso através das suas empresas, porque a administração não tem a vocação de estar envolvidas em negócios. Portanto, se as empresas privadas não estiverem motivadas para poderem vir para Angola por causa da instabilidade no ambiente de negócios, sobretudo, o ambiente fiscal e o excesso de burocracia, naturalmente que os fundos também não vêm ao país”, alertou.

Por outro lado, o presidente da AmCham-Angola revelou que, em 2023, as diferenças cambiais provocaram um prejuízo acima de 9 milhões de dólares aos membros da Câmara. “Isso é sério. As coisas estão preocupantes. Se reparar, houve uma desvalorização acima dos 30% do kwanza”, enfatizou.

Neste cenário que diz ser “desafiador”, Pedro Godinho aponta que uma das prioridades deste ano é ajudar os membros a navegarem neste mundo de dificuldades, advogando e intercedendo junto dos líderes que têm o poder de decisão no país.

in Forbes Lusófona

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