
O Serviço de Investigação Criminal (SIC) em Luanda deteve Jeneses Jeovani Manuel Barros Nunes, de 39 anos, conhecido por “Tuchinho”, acusado de espancar até à morte a enteada de apenas nove anos, Maristela Pedro.
O suspeito, agora em prisão preventiva, é irmão da falecida advogada Carolina Barros da Silva, assassinada em Dezembro de 2018 pelo próprio marido, Olívio da Silva, num caso que chocou o país.
De acordo com o porta-voz do SIC-Luanda, Fernando Carvalho, os factos ocorreram no dia 18 de Agosto de 2025, por volta das 16h00, quando o acusado, aproveitando-se da ausência da mãe da menor, atraiu a criança para casa e iniciou uma sessão de agressões com recurso a um cinto com pitões de ferro.
O homem alegou que a vítima apresentava “comportamentos desviantes” e, por esse motivo, decidiu castigá-la violentamente, deixando-lhe graves hematomas em várias partes do corpo, sobretudo no peito.
A criança ainda foi socorrida a uma unidade sanitária, mas não resistiu à gravidade das lesões e acabou por falecer no percurso.
Apresentado publicamente pelo SIC no dia 3 de Setembro, no Comando Municipal da Polícia Nacional do Kilamba Kiaxi, o detido responde pelo crime de homicídio qualificado em razão da qualidade da vítima, uma vez que mantinha relação familiar direta com a criança.
Após cumpridas as formalidades processuais, foi presente ao Ministério Público e ao Juiz de Garantias, que lhe aplicaram a medida de prisão preventiva.
Tuchinho vivia com a mãe da vítima há apenas três meses, sob o mesmo teto. Fontes próximas confirmam que o acusado é irmão da falecida advogada Carolina Barros, assassinada em 2018 pelo marido, que ocultou o corpo da companheira numa fossa da residência onde viviam.
O SIC-Luanda aproveitou a ocasião para apelar à sociedade, reforçando que “a proteção da criança deve ser uma prioridade absoluta no seio familiar, cabendo aos adultos reconhecer os sinais de perigo e agir em tempo para prevenir tragédias”.
O caso reacendeu a indignação social e levantou críticas à protecção das crianças no seio familiar. Em resposta, o Grupo de Activistas e Defensores dos Direitos Humanos convocou uma marcha por justiça para Maristela, marcada para sábado, 6 de Setembro.
A concentração terá início às 11h, na Estação da ENDE, no Golf 2, e a marcha começa às 13h, seguindo o percurso ENDE – Largo da Camama – Urbanização Nova Vida.
“Junte-se a nós para exigirmos justiça por Maristela, uma menina de apenas 9 anos de idade que foi brutalmente estuprada, agredida e assassinada pelo seu padrasto, enquanto sua mãe se encontrava no trabalho. Sua participação é fundamental para mostrar nossa indignação e compromisso na luta por direitos e justiça”, apelaram os organizadores.