
Gosto muito de Portugal. É um belo jardim. Sobretudo por estar plantado à beira-mar. Quando lá estou e entendo esticar os braços, um vai dar à Espanha e o outro a Marrocos.
Angola e Portugal estão ligados histórica e culturalmente. Politicamente também. Estão ligados para sempre. Portugal é o refúgio de todos nós. É a nossa segunda Pátria. Ganhamos dinheiro em Angola. Gastámo-lo à grande e à angolana na Avenida da Liberdade em Lisboa ou na Santa Catarina no Porto. Os políticos angolanos referem-se a Portugal como “País irmão”.
O que não percebo é que tratamos Portugal como “País irmão” e o Congo Democrático como País vizinho. Penso que o este último deveria ser tão irmão quanto o primeiro.
O Congo Democrático foi a retaguarda segura da guerrilha do MPLA. Lá nasceram e viveram muitos angolanos.
Fico embarbascado quando ouço os políticos a referirem-se como a Portugal como “País irmão” e ao Congo Democrático como “País vizinho”. É necessário corrigir o tiro discursivo.
Os políticos têm de deixar de se referir ao Congo Democrático como “País vizinho”. É um País irmão. Tal como é Portugal. Os políticos angolanos têm de deixar de tratar o Congo com sobranceria. Esta arrogância não nos leva a nada. Não ganhamos nada com isso.
Os congoleses democráticos são nossos irmãos. Não é por alegadamente não gostarem de sopa, sorvete e salada que lhes devemos tratar com desdém. De forma alguma! Temos de deixar de ser irmãos da onça em relação a Portugal e enteados de casa em relação ao Congo Democrático.
O respeito e cordialidade que se tem com Portugal devem ser iguais ao que devemos conferir ao Congo Democrático. É preciso promover um ambiente agradável. Harmonioso.
O Congo Democrático é um “Pais irmão”. Aliás, mais do que isso. Quem tiver dúvidas, que pergunte a Paulo Pombolo.
*Jornalista