Isabel dos Santos ataca serviços secretos e suspeita da morte de Sindika Dokolo
Isabel dos Santos ataca serviços secretos e suspeita da morte de Sindika Dokolo
Isab21

Na entrevista publicada ontem, sexta-feira, 16, na revista portuguesa “Expresso”, a empresa Isabel dos Santos acusa os serviços de inteligências angolanos de serem responsáveis pelo vazamento de documentos que o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, sigla em inglês) divulgou aos meios de comunicação social nacional e internacional, e suspeita do incidente que provocou a morte do seu marido Sindika Dokolo.

A primogénita do falecido ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, garante de boca cheia que os jornalistas [deste consórcio] foram manipulados e usados pelos serviços secretos angolanos”.

“A fonte destes documentos não foi o hacker [português] Rui Pinto, mas sim os serviços secretos, que passaram as ‘provas’ para Portugal e depois para a plataforma PPLAAF em França, e finalmente para o ICIJ”, assegurou Isabel dos Santos, lamentando que “infelizmente, isto acontece. Por vezes, os jornalistas são usados por governos mal-intencionados que querem calar a oposição.”

De acordo com a empresária – que é caçada pela Interpol para ser enviada a Angola a fim de responder os processos judiciais em curso -, “o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação diz que recebeu 715 mil documentos no âmbito do Luanda Leaks. Mas só publicaram 142. Quem me dera ver os restantes documentos.”

Conforme a entrevistada, dos 142 documentos divulgados publicamente, nem um corrobora as histórias publicadas nos órgãos de comunicação social. “E as versões estavam sempre a mudar. Será que o ICIJ teve tempo para ler e analisar em poucos meses os tais 715 mil documentos, a maioria deles em português?”, questiona Isabel dos Santos na entrevista.

Isabel dos Santos – que se refugiou no Dubai, onde é proprietária de um luxuoso apartamento num exclusivo condomínio Bulgari, construído numa ilha artificial – assegura que as provas apresentadas foram fabricadas de forma a criar uma narrativa com oito ou nove histórias escandalosas.

Na mesma entrevista, Isabel dos Santos falou ainda do seu marido, Sindika Dokolo, que morreu em 2020, aos 48 anos, no Dubai. “O acidente que vitimou Sindika Dokolo permanece um mistério e a morte não ocorreu definitivamente em circunstâncias normais”, salientou, admitindo que “nunca saberei ao certo o que aconteceu e tenho de aceitar isso”.

A empresária revela ainda que durante muito tempo a sua família foi perseguida pelos serviços secretos angolanos. “Foram tempos difíceis para a família”, recordou.

Processo contra Isabel dos Santos já em tribunal

Na segunda semana de Janeiro do corrente ano, o procurador-geral da República, general Hélder Pitta Groz, confirmou, a partir da província do Cunene, a introdução em tribunal, do processo-crime contra Isabel dos Santos, acusada em vários crimes durante a sua gestão da empresa petrolífera Sonangol.

O procurador, que falava à margem do encerramento da IV reunião alargada da região judiciária sul da PGR, disse que a instrução preparatória do processo se encontra concluída e elaborada a acusação, que no fim do prazo seguirá a tribunal.

Informou que nesse processo foram já notificados os advogados, aguardando-se apenas a reacção dos mesmos para se dar entrada em juízo e que “por enquanto tudo se mantém em segredo de justiça”.

Hélder Pitta Groz esclareceu que no processo estão arrolados três cidadãos portugueses integrantes da equipa que trabalhou com Isabel dos Santos como presidente do Conselho de Administração da Sonangol.

A empresária angolana Isabel dos Santos é acusada de 11 crimes no processo, que envolve a sua gestão na petrolífera estatal angolana, entre 2016 e 2017.

Ela é acusada de peculato, burla qualificada, abuso de poder, abuso de confiança, falsificação de documentos, associação criminosa, participação económica em negócio, tráfico de influências, branqueamento de capitais, fraude fiscal e qualificada.

Em 03 de Junho de 2016, Isabel dos Santos foi nomeada presidente do Conselho de Administração da Sonangol, estrutura que passou a integrar também Sarju Raikundalia, inicialmente administrador não executivo, antes de passar a executivo com o pelouro da gestão financeira da petrolífera, numa altura em que detinha participações na empresa de consultoria PwC.

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