
O presidente do MPLA, João Lourenço, anunciou na segunda-feira, 16, em Luanda, o rejuvenescimento do Bureau Político e do Secretariado do partido nos próximos dias. O Comité Central do MPLA é composto por 693 membros, dos quais 101 são do seu Bureau Político.
A declaração foi feita durante a abertura do VIII Congresso Extraordinário do MPLA, que decorre até terça-feira, com o objetivo de discutir ajustamentos aos estatutos partidários e a tese sobre os 50 anos de Independência Nacional, a assinalar-se a 11 de Novembro de 2025.
João Lourenço destacou que, após o término do congresso, será convocada uma reunião do Comité Central para formalizar as mudanças anunciadas, sublinhando que estas se destinam a preparar o partido para os grandes desafios futuros.
“Vamos ajustar-nos aos grandes desafios que teremos de enfrentar”, referiu o líder partidário, manifestando esperança de que o congresso produza resultados positivos para o país.
No entanto, o líder do MPLA reiterou o compromisso do partido com o aprofundamento da democracia interna e com o respeito pelos órgãos de direção eleitos em todos os escalões.
Afirmou que a actuação do partido continuará a pautar-se pelos princípios definidos nos seus estatutos, sempre em defesa dos interesses superiores do MPLA e da nação.
Rejuvenescimento é um processo natural
O secretário para a informação do MPLA, Esteves Hilário, considerou “oportuna” a decisão do líder do partido sobre o rejuvenescimento do Bureau Político.
Em declarações à imprensa, à margem do congresso, Esteves Hilário lembrou que este anúncio já havia sido feito por João Lourenço em março de 2022, durante a quarta sessão ordinária do Comité Central.
“O rejuvenescimento das estruturas do partido é um processo natural e não deve ser interpretado como um sinal de fricção interna. É normal que os mais velhos cedam espaço aos mais novos e passem o facho à próxima geração. Este processo ocorre em partidos democráticos em todo o mundo e não exclui militantes”, afirmou.
O porta-voz sublinhou ainda a necessidade de integrar elementos mais jovens nas estruturas centrais do partido, referindo que “os desafios que se avizinham são uma maratona, e o MPLA precisa de pessoas com vigor para os enfrentar”.
Ajustes e perspetivas futuras
No âmbito do congresso, Esteves Hilário explicou que a direção do MPLA apresentou uma proposta de ajustamento aos estatutos, mas caberá aos delegados decidir as alterações finais nos documentos do partido.
O secretário informou também que, em 2026, o MPLA entrará num processo orgânico ordinário que culminará com um congresso e, posteriormente, com as eleições gerais, o que justifica a antecipação de medidas estratégicas para preparar os próximos passos do partido.
Sobre a coesão interna, Esteves Hilário reforçou que, sendo o MPLA um partido democrático com mais de quatro milhões de militantes, é natural que existam ideias divergentes.
O VIII Congresso Extraordinário conta com a participação de 2.794 delegados, representando as 18 províncias do país e a diáspora, e tem como pontos centrais da agenda o ajustamento aos estatutos do partido e a análise da tese dos 50 anos de Independência Nacional.