João Lourenço condena o caos em Luanda e anuncia medidas de emergência
João Lourenço condena o caos em Luanda e anuncia medidas de emergência
Jlo

O Presidente da República, João Lourenço, condenou veementemente, esta sexta-feira, os actos de vandalismo, pilhagem e coacção que abalaram a capital entre segunda e terça-feira, durante e após a greve dos taxistas e os protestos contra o aumento do custo de vida.

Na sua mensagem à Nação, o Chefe de Estado reiterou que o direito à manifestação está consagrado na Constituição e deve ser exercido dentro da legalidade, sem comprometer a ordem pública. No entanto, repudiou de forma firme os actos criminosos que ultrapassaram os limites legais de um protesto legítimo.

Segundo o Presidente, os incidentes registados foram “actos premeditados de destruição”, fomentados por indivíduos manipulados por organizações nacionais e estrangeiras, conforme demonstrado por imagens e relatos que circularam nas redes sociais.

João Lourenço lamentou profundamente a perda de vidas humanas, endereçou condolências às famílias enlutadas e desejou rápidas melhoras aos feridos. Condenou igualmente a destruição de bens públicos e privados e os prejuízos irreparáveis causados à economia local e aos empregos.

De acordo com dados oficiais, pelo menos 30 pessoas perderam a vida, 277 ficaram feridas e 1.515 foram detidas durante dois dias de tumultos registados em Luanda e nas províncias do Icolo e Bengo, Malanje, Bengo, Huambo, Benguela, Huíla e Lunda Norte.

A Polícia Nacional contabilizou cerca de 118 estabelecimentos comerciais vandalizados, com maior incidência em Luanda, além de 24 meios de transporte público, mais de 20 viaturas civis, cinco viaturas e uma motorizada pertencentes às forças de segurança, e ainda uma ambulância.

O Presidente da República agradeceu o empenho das forças da ordem, dos profissionais de saúde, dos partidos políticos, das igrejas e da sociedade civil, que se manifestaram de forma clara contra a violência, em defesa da ordem pública.

Como resposta imediata, o Governo aprovou medidas de emergência para apoiar as empresas afectadas, promovendo a rápida reposição de stocks e a manutenção dos postos de trabalho ameaçados.

Reconhecendo os profundos desafios sociais do país, João Lourenço destacou os investimentos públicos nas áreas da saúde, educação, habitação e infra-estruturas, nomeadamente a construção de grandes barragens nas províncias do sul, como medidas concretas de resposta ao descontentamento social.

O Presidente salientou ainda o papel fundamental do sector privado, do cooperativismo e do autoemprego na criação de oportunidades de trabalho e no fortalecimento económico do país.

Na sua intervenção, alertou também para o impacto das redes sociais, sublinhando que a formação cívica dos jovens deve continuar a ser promovida pelas famílias, pelas escolas, pelas igrejas e por toda a comunidade.

João Lourenço concluiu a sua mensagem afirmando que os responsáveis pelos actos de violência saíram derrotados. “Este gesto infame fracassou. Quem o planeou foi derrotado e permitiu-nos delinear respostas mais eficazes para o futuro.”

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido