João Lourenço demite comandante dos Bombeiros após polémica
João Lourenço demite comandante dos Bombeiros após polémica
comissario lutango

O Presidente da República, João Lourenço, exonerou esta quarta-feira, 8 de Maio, o comissário bombeiro principal Manuel Matanda Lutango do cargo de Comandante do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, apenas 16 meses após a sua nomeação.

O oficial havia sido indicado para o cargo em Janeiro de 2024, sob apadrinhamento directo do então ministro do Interior, Eugénio César Laborinho, de quem era considerado um homem de confiança e “peça-chave” em decisões sensíveis.

A sua curta e controversa gestão chegou ao fim de forma abrupta, após uma série de decisões impopulares que criaram mal-estar na corporação.

Entre os episódios mais marcantes da sua curta liderança destaca-se o polémico encerramento da histórica Escola Nacional de Bombeiros, localizada em Viana.

Em Março, o comandante determinou, de forma súbita e sob alegada “ordem superior”, o despejo do centro formativo, dando apenas 48 horas para a desocupação.

A instituição, que formou centenas de bombeiros ao longo de duas décadas, seria transformada num Centro de Instrução Militar, alegadamente sem condições técnicas ou pedagógicas adequadas.

A medida, vista internamente como um verdadeiro golpe na espinha dorsal da formação profissional do sector, provocou indignação entre instrutores, técnicos e oficiais. Muitos denunciaram o rebaixamento da qualidade da instrução e a desvalorização do legado da escola.

A gestão de Lutango foi ainda marcada por denúncias de arbitrariedades, desorganização logística e mobilizações improvisadas para remover bens da escola, incluindo mobiliário e equipamentos sensíveis, muitas vezes aos fins de semana e sem qualquer plano de reposição.

Para o seu lugar, o Presidente da República nomeou o comissário bombeiro Bravo Pereira Mendes, que herda uma corporação desmoralizada e uma crise de confiança entre os quadros.

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido