
O presidente João Lourenço tem procurado desinformar os angolanos, sobretudo quando se trata da sua eminente retirada da vida política pública. Nota-se-lhe no semblante um medo aterrorizante quando se refere às próximas eleições.
Na sua última intervenção, o medo ficou estampado ao afirmar, inadvertidamente, que o discurso de antecipação de fraude eleitoral é perigoso. Segundo ele, tal discurso deve ser contundentemente combatido até à exaustão.
Afinal, em que momento a maioria esmagadora do país civilizado deverá combater afirmativamente a fraude eleitoral já programada?
Infelizmente para o presidente, o país político-social está mais do que ressabiado, pois não confia minimamente no presidente do MPLA e da República.
Aliás, o discurso do líder do MPLA, além de venenosamente enviesado e destrutivo, também mostrou que o governante pretende desmobilizar a juventude de vigiar as movimentações dos promotores da fraude eleitoral e, assim, montar uma estrutura baseada no proselitismo político para desse modo blindar uma eventual candidatura da sua esposa à cadeira presidencial da República.
O país social certamente dará uma resposta contundente a qualquer tentativa de manipular os cidadãos para facilitar o roubo das eleições.
João Lourenço sabe que, em 2027, a fraude eleitoral não se sustentará. O presidente do MPLA tem apenas uma saída para garantir a entrega da Presidência da República à sua esposa, Ana Dias Lourenço.
Essa possibilidade única terá de passar pelo derramamento de sangue inocente em solo pátrio, como já aconteceu em outros momentos críticos da nossa história pós-independência.
A fraude já está em fase conclusiva. A recondução do senhor Manico para presidir à Comissão Nacional Eleitoral (CNE) é vista por milhões de angolanos como a clássica continuidade prática da fraude eleitoral.
Quem confia em João Lourenço, que o compre. É entendível que a fraude eleitoral não se consuma apenas no ato de votação.
O roubo eleitoral em 2022 não foi concluído apenas com o ato de votação. A fraude foi um processo construído ao longo dos quatro anos anteriores que antecederam o roubo em 2022.
Para muitos analistas, o percurso da referida fraude em 2027 começou com a aprovação de diplomas legais avulsos, como a lei das fake news e a chamada Lei Paka, dentre outras leis injustas.
Outro procedimento considerado extremamente contaminado e agressivo para alguns setores da sociedade é a monstruosa divisão administrativa do território.
Tal medida é interpretada como um sinal demonstrativo de que João Lourenço é um político que se utiliza de métodos arcaicos para subjugar e humilhar os angolanos.
Esse modo obsessivo apenas reforça o pensamento reinante de que a divisão administrativa serviu para dividir os angolanos e para evitar a realização das eleições autárquicas.
O período que Angola vive pode ser descrito como de grande turbulência e de obscuridade horripilante. João Lourenço transformou Angola numa espécie de sala de comédia política, onde a piada já chega pronta.
Os cidadãos descrevem as trafulhices do presidente como encenações baratas, próprias de um teatro burlesco instalado no seio do MPLA. Torna-se imperioso retirar, com urgência, o povo do estado de letargia humilhante.
A luta contra as tentativas de fraude só poderá ser bem-sucedida se houver união e vigilância cidadã para contrapor a influência desproporcional dos agentes do regime liderado por João Lourenço.
A capacidade expansiva do programa de governo do MPLA é vista por diversos críticos como limitada e intelectualmente pouco convincente.
No grande teatro da interpretação política, o cidadão depara-se com um país que ainda vive o rescaldo de uma das maiores fraudes eleitorais já vistas, seguida de uma estrondosa derrocada económica.
É importante levar em conta que Angola, muitas vezes, se apresenta como um berço de contradições geopolíticas. Essa situação lembra momentos dramáticos somente comparados a enredos intensos, dignos de novelas ou dramas políticos mexicanos.
A fórmula usada pelo regime é tão caricata e inquietante que chega a lembrar um cenário apocalíptico, reconhecido por muitos como uma interpretação quase absurda da realidade política obsoleta.
O país social não pode continuar a ser exposto a mais sacrifícios. Angola tem um histórico marcado por episódios traumáticos e agressões contra os seus cidadãos.
Faz-se necessário aprender com os nossos erros e com as práticas nocivas do nosso passado recente. Não se pode esquecer os assassinatos de angolanos bacongos e ovimbundos realizados de forma indiscriminada em 1992, após o pleito fraudado pelo regime comunista do MPLA.
O presidente do MPLA terá que aprender que Angola não significa República do MPLA. Ele tem tentado “emprenhar o povo pelos ouvidos” quando procura demonstrar que haverá vida após excluir, de dentro do MPLA, os candidatos à presidência do partido.
Para muitos críticos, isso acaba por soar como uma tentativa de subestimar a maturidade política do povo angolano. Angola não quer ter um Presidente da República que seja promotor da necropolítica governativa.
Estamos juntos.
*Analista