João Lourenço em via de entregar a presidência ao cunhado – Smith Chicoty
João Lourenço em via de entregar a presidência ao cunhado – Smith Chicoty
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Nota Prévia: Definitivamente, para o bem do MPLA, de Angola e dos angolanos de um modo geral, é urgente e necessário que o próprio MPLA tenha internamente a coragem de travar os intentos e apetites diabólicos de João Lourenço, sob pena daquele senhor colocar em causa, em última instância, até a própria subsistência política do MPLA a médio e longo prazo, um partido que, de resto, a par da UNITA e da FNLA, constitui património histórico político de Angola, extensivo à SADC e aos PALOP.

1 – É ponto assente que o MPLA estará reunido em Congresso Extraordinário em Dezembro próximo.

2 – Infelizmente, tal como em artigos anteriores prognosticamos e fomos denunciando, um Congresso Extraordinário do qual, em condições normais, esperava-se que servisse para a arrumação da casa e “reunificação da grande família”, tendo em vista o próximo Congresso Ordinário, que pelo ciclo natural estatutário iria eleger o próximo presidente do MPLA, tendo em vista os desafios eleitorais que se avizinham.

3 – Infelizmente, contra todas as expectativas, não é assim que João Lourenço pretende que seja. Isto é, pelo andar da carruagem, segundo denúncias de gente muito bem posicionada no seio da estrutura diretiva do partido no poder, o Congresso Extraordinário aprazado para a reta final do ano em curso não mais servirá do que para, dentre várias nuances, consolidar e alimentar os maquiavélicos caprichos e apetite desmedido de João Lourenço pelo poder, num cenário típico de gangster’s políticos, por meio do qual João Lourenço pretende ensaiar o seguinte cenário:

  • Aproveitar-se da brecha consagrada pelo artigo 78°, a), dos Estatutos do MPLA, para ainda este ano, antes de Dezembro, renunciar ao cargo de presidente do MPLA, contra todas as expectativas, apanhando putativos candidatos ao cargo de Presidente do partido com as calças nas mãos;
  • Acto contínuo, segundo consta, João Lourenço, que já terá inclusive reunido com e garantido o seu total e incondicional apoio ao seu cunhado Nandó, a quem a ala a ele afeta ousa desavergonhadamente chamar de “O Candidato dos Mais Velhos”. O que constitui uma tamanha falsidade, pois é visível a todos os níveis o estado de tamanha frustração dos “Mais Velhos do Partido” face a João Lourenço, que por arrasto se estende a um putativo candidato apoiado por si.

4 – Deste modo, conforme cronometrado, depois de renunciar ao mandato, João Lourenço orientará o sentido de voto ao seu cunhado Fernando da Piedade Dias dos Santos “Nandó”, um candidato que, diga-se de passagem, na mais rigorosa acepção da palavra “político” já há muito anda aposentado, caído no esquecimento.

Literalmente, João Lourenço pretenderá entregar o poder ao seu cunhado de bandeja, como se o MPLA e, por arrasto, Angola fossem um negócio de família, estendendo-lhe o tapete vermelho para tornar-se o próximo presidente do MPLA.

Nota: Nos termos dos Estatutos do MPLA, embora em condições normais não seja competência do Congresso Extraordinário eleger o presidente do partido, o artigo 78°, a), do magno documento reitor do MPLA, abre excepcionalmente portas para a eleição de um novo Presidente em conclaves daquela natureza, sendo a RENÚNCIA uma das nuances previstas nos Estatutos suscetíveis de dar lugar à concretização de tal cenário.

Os erros de cálculos de João Lourenço e do famigerado “candidato dos mais velhos” Nandó

5 – É notório que, na corda bamba, pelos “pecados capitais” que tem vindo a cometer contra o partido e o povo angolano, na reta final do seu segundo mandato, o desespero terá tomado conta de João Lourenço de tal modo que, acredita-se que pelo nervosismo excessivo, ele vá fazendo uma série de manobras políticas a todos os títulos e níveis irrefletidas, bastante perigosas e arriscadas tal como a que agora decidiu encetar. Já no próximo Congresso, se não vejamos:

  • O artigo 78° do Estatuto do MPLA fala em ELEIÇÃO em caso de VACÂNCIA, e porque ELEIÇÃO e INDICAÇÃO são duas figuras jurídicas clara e completamente diferentes, nada irá obstar que candidatos com mais fortes, convincentes e contundentes requisitos, a exemplo do general Francisco Higino Lopes Carneiro, o 4×4, entrem na corrida presidencial.

O que a acontecer, não restam dúvidas de que HC, porque os factos estão aí aos montes e falam por si, irá na certa, com maior ou menor dificuldade, bater na concorrência quaisquer que sejam os demais candidatos.

Até porque é mais do que evidente que, por questões de sobrevivência e estabilidade do partido MPLA, os futuros Congressistas devem nas urnas deter esses macabros intentos destes senhores contra o partido, seja no CE aprazado para Dezembro ou no próximo Congresso Ordinário.

O candidato de João Lourenço, no máximo, o que poderá vir a fazer, caso por crasso descuido passe pelo crivo dos delegados ao Congresso, não mais seria do que encarnar o corpo de “um exímio continuador da escavação de um buraco sem fundo para o partido e concomitantemente para o país”. Um buraco, de resto, iniciado pelo seu cunhado João Lourenço.

*Jurisconsulto, pedagogo e especialista em Marketing Digital Político

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