
Um amigo tem como divisa de vida “o bem faz-se em silêncio, o resto é teatro” que pode ser péssimo, mau, medíocre ou bom. Há actores para todos os desgostos.
O corredor do Lobito, recordista de todas as corridas, desde a velocidade à maratona, é péssimo actor e a sua quadrilha de bajuladores ainda pior. João Lourenço é uma mancha. Um borrão que alastra imparável. Uma nódoa que põe em risco a existência de Angola livre e independente.
Hoje libertaram alguns reclusos indultados e puseram Ana da Silva Miguel (Neth Nahara) a dizer ante as câmaras da TPA, que João Lourenço, o corredor vertiginoso do Lobito, “é um homem de Deus, ouviu o Espírito Santo, quem tem ouvidos para Deus é um homem de Deus”. Vai outra vez presa.
Menina Neth Nahara! O vertiginoso corredor do Lobito, campeão de todas as corridas pedestres e motorizadas, é mesmo Deus. O Altíssimo é que ouve João Lourenço. Pede-lhe conselhos para governar o Paraíso como ele governa Angola.
O Espírito Santo é que se abastece de santidade em João Lourenço. Reduzir o Deus angolano a kamba do Espírito Santo é uma maka mundial. Até na Casa dos Brancos estão revoltados com o desaforo.
Continuando no espírito natalício, venho informar que os processos e toda a documentação respeitantes ao golpe militar em 27 de Maio, 1977, desapareceram.
Ficou um comunicado do Bureau Político do MPLA emitido na época e outro, tornado público após a assinatura do Acordo de Bicesse, quando começou a operação de transformar os golpistas em vítimas e as vítimas em criminosos.
Gastaram milhões comprando “historiadores” ou simpatizantes de jornalismo e publicaram as suas aldrabices e invenções. Cansado de tão hedionda traição recolhi a documentação existente e fiz o livro “27 MAIO 1977”. Foi olimpicamente ignorado.
O Tribunal Marcial que funcionou junto do Ministério da Defesa produziu abundante documentação. Desapareceu. Todos os membros da direcção política e militar do golpe de estado fizeram depoimentos escritos, assinados por eles, onde descreveram como nasceu e foi desencadeado o golpe militar.
Os processos arquivados na sede do MPLA também desapareceram. Ficou apenas o depoimento manuscrito por Nito Alves.
Após a entrega do seu depoimento aos juízes do Tribunal Marcial, Nito Alves ainda se lembrou que não respondeu à pergunta “quem mandou matar os Comandantes das FAPLA e o ministro Saidy Mingas?”
Pediu mais uma folha e respondeu. Atirou com a responsabilidade para José Van-Dúnem e Sita Vales. Um herói da delacção! Em cima do acontecimento publiquei no jornal português “Página Um” todos os depoimentos dos golpistas, excepto os depoimentos de José Van-Dúnem e Sita Alves, porque ainda não tinham sido presos. Fontes oficiais. Cópias autênticas dos depoimentos.
No dia 5 de Junho de 1991, os serviços secretos militares da África do Sul e a Casa dos Brancos decidiram esconder em bases secretas no Cuando Cubango, milhares de militares da UNITA e as suas melhores armas, inclusive artilharia e os mísseis Stinger. Uma traição sem nome ao Acordo de Nova Iorque. E a prova de que os EUA não são fiáveis.
Pediram ao Presidente José Eduardo dos Santos para assinar um acordo com Jonas Savimbi e não apenas um perdão. Porque ao perder o apoio dos EUA e de Pretória, a sua organização podia causar muitos danos na região, como faziam os “senhores da guerra” na Somália.
O Arquitecto da Paz, na sua infinita generosidade, aceitou. Apenas cinco dias depois da assinatura do Acordo de Bicesse, a direcção da UNITA estava a esconder militares para tomar o poder pela força, caso perdesse as eleições como perdeu.
O general Zé Maria conseguiu obter os documentos secretos que confirmam essa operação. Foi julgado, condenado e preso por não entregar esses documentos à turma do corredor vertiginoso do Lobito, sempre atrás do dinheiro.
Queriam fazer desaparecer tudo para se arrastarem aos pés da Casa dos Brancos. O general Zé Maria não lhes entregou os documentos!
(…)
Chegou a hora de pôr o corredor do Lobito a correr para bem longe do poder em Angola. Quem pensa que a UNITA é alternativa, aí ficam as provas da sua traição ao regime democrático, que dava os primeiros passos.
A UNITA é uma associação de malfeitores, não é um partido. Haja coragem no seio do MPLA para correr com o corredor do Lobito, de seu nome João Lourenço.
*Jornalista