
O Presidente da República, João Lourenço, protagonizou esta segunda-feira, em Libreville, um momento carregado de simbolismo e tensão política: visitou Ali Bongo Ondimba, o ex-Chefe de Estado do Gabão, deposto em 2023 após um golpe de Estado militar que pôs fim a décadas de domínio da família Bongo.
A visita de cortesia ocorreu à margem da deslocação oficial de algumas horas que João Lourenço realizou à capital gabonesa, a convite do seu homólogo gabonês, Brice Clotaire Oligui Nguema, que assumiu o poder após liderar a junta militar que afastou Bongo do cargo.
Depois do encontro com o ex-presidente, João Lourenço reuniu-se com Oligui Nguema para discutir o futuro da cooperação entre Angola e o Gabão e alinhar posições sobre os grandes dossiês africanos e internacionais.
Esta foi a primeira visita oficial de Lourenço ao Gabão desde a virada política que surpreendeu a comunidade internacional.
Ali Bongo Ondimba, de 66 anos, governou o Gabão de 2009 até 2023, sucedendo ao seu pai, Omar Bongo, que esteve no poder por mais de quatro décadas. A sua presidência foi marcada por acusações de corrupção, repressão e manipulação eleitoral.
Em 2023, após anunciar a sua vitória em mais umas eleições controversas, foi abruptamente afastado do poder por um grupo de militares que considerou o acto eleitoral fraudulento.
Após o golpe, imagens de Bongo em aparente estado de confusão, pedindo ajuda através de vídeos gravados, correram o mundo, tornando-se um símbolo do colapso de um regime que parecia inabalável.
Relações bilaterais Angola-Gabão
Apesar da reviravolta política no Gabão, Angola e o novo regime continuam a apostar na estabilidade das relações bilaterais. As bases dessa cooperação estão assentadas no Acordo Geral de Cooperação de 1982 e em várias parcerias estratégicas nos sectores da energia, comércio, defesa, saúde, juventude e desporto.
Em 2022, os dois países assinaram ainda acordos para isentar vistos diplomáticos e realizar consultas políticas regulares, reforçando o eixo de influência entre Luanda e Libreville.
Angola e Gabão são membros da CEEAC e da Comissão do Golfo da Guiné, fóruns onde a nova realidade política do país será, sem dúvida, tema de bastidores — sobretudo após a queda espetacular de uma das famílias mais poderosas da África francófona.