
O jornalista angolano Jorge Eurico atribuiu ao Serviço de Informação e Segurança do Estado (SINSE), liderado pelo general Fernando Garcia Miala, a principal responsabilidade pelo colapso institucional que resultou num caos urbano de três dias, com vandalismo, pilhagens, confrontos e dezenas de mortes.
Num texto opinativo intitulado “SINSE ausente caos presente”, publicado nas redes sociais, Eurico criticou a suposta inoperância do SINSE. “O país esteve à mercê da desordem durante três dias.… O SINSE não previu o caos. Estava de férias. Ausente. Falhou. E o país pagou.”
Para o jornalista, a República assistiu ao enfraquecimento da inteligência estatal e à derrocada da segurança pública, resultando em vidas perdidas e prejuízos significativos, tudo sob o silêncio cúmplice de quem devia agir.
Jorge Eurico sublinha que a ausência de acção preventiva e vigilância eficiente transformou o país numa zona vulnerável, dependente apenas de intervenção divina. Enquanto isso, o SINSE falhou em detectar sinais claros de tensão social, mesmo sabendo que uma “bomba social” ameaçava explodir.
“A instituição encarregada de neutralizar ameaças mostrou-se cega, surda e muda.… Ninguém foi responsabilizado. Lavaram as mãos, como Pôncio Pilatos”, ironizou.
Além de criticar o serviço de informação, Jorge Eurico implicou também o ministro do Interior e o comandante-geral da Polícia Nacional na cadeia de falhas que permitiu mais de 40 mortes, segundo estimativas de organizações da sociedade civil.
Descreveu a acção policial como improvisada que exigiu-se o apoio das Forças Armadas Angolanas (FAA) nas patrulhas noturnas, o que mais pareceu uma medida emergente do que parte de uma estratégia planejada.
O mesmo criticou igualmente o comunicado do ministro do Interior, considerando-o como “vazio e evasivo” sem substância, sem explicação sobre as mortes e sem assunção de responsabilidades.
Para o jornalista, essa postura reforça a narrativa de que o poder se fecha ao diálogo enquanto a sociedade padece. “O caos expôs o óbvio: O ministro e o comandante‑geral não estão à altura.… O silêncio do Presidente acentuou o abandono nacional.”