
O jornalista e sociólogo Severino Carlos anunciou hoje publicamente a sua decisão de recusar a condecoração atribuída pelo Presidente da República, João Lourenço, no âmbito das celebrações dos 50 anos da Independência Nacional.
O chefe de Estado distinguiu, em Julho, 743 cidadãos com as medalhas Independência e Paz e Desenvolvimento, reconhecendo personalidades de diferentes áreas da vida nacional.
O nome de Severino Carlos constava na lista oficial, no número 604, em reconhecimento da sua carreira de mais de quatro décadas dedicadas ao jornalismo.
Num comunicado divulgado esta terça-feira, nas redes sociais, o profissional afirma que a decisão de declinar a distinção resulta de uma “profunda incongruência” entre o reconhecimento público e a alegada perseguição que diz sofrer por manter uma postura crítica e independente.
“Considero uma profunda incongruência que o mesmo regime que me persegue e ostraciza profissionalmente, pelo simples facto de manter uma postura crítica e independente, venha agora adornar-me com uma condecoração simbólica”, escreveu.
O jornalista recorda que esteve entre os fundadores do Semanário Angolense, publicação que descreve como uma das maiores referências da imprensa angolana no período pós-independência, e sublinha que sempre pautou o seu percurso pelo respeito à verdade e ao direito dos cidadãos à informação.
Na declaração, Severino Carlos acrescenta que aceitar a distinção seria “legitimar um sistema que penaliza os profissionais da comunicação social quando exercem o jornalismo com seriedade e compromisso ético”.
“A verdadeira medalha que levo comigo é o reconhecimento dos leitores, dos colegas, e sobretudo a certeza de ter permanecido fiel à verdade, à ética e à dignidade do jornalismo em Angola”, concluiu.