
Jornalistas e funcionários administrativos da agência Angola Press (ANGOP) manifestaram preocupação e descontentamento com o actual processo de avaliação de desempenho aplicado em algumas delegações da agência, alertando para alegadas práticas de favoritismo, abuso de poder e falta de mecanismos eficazes de recurso.
Numa exposição dirigida ao presidente do conselho de administração da ANGOP, a que o Imparcial Press teve acesso, os signatários afirmam que o processo de avaliação, que deveria pautar-se por critérios de justiça, transparência e rigor técnico, tem sido conduzido por alguns responsáveis de forma discricionária, afastando-se do seu objectivo institucional.
Segundo o documento, regista-se com frequência a valorização de funcionários considerados da confiança das chefias locais, tanto do ponto de vista quantitativo como qualitativo, em detrimento de outros trabalhadores, criando a percepção de parcialidade e injustiça.
Os queixosos acrescentam que, em certos casos, a avaliação aparenta ser utilizada como instrumento para fragilizar, desmotivar ou afastar jornalistas e administrativos.
Os funcionários referem ainda que, após a formalização e assinatura dos relatórios de avaliação, muitos funcionários sentem-se sem mecanismos efectivos de contraditório ou de recurso, situação que tem contribuído para um clima de insegurança laboral, desconfiança interna e quebra de motivação nas redacções e serviços administrativos.
A carta aponta igualmente para um aumento de queixas provenientes de várias delegações provinciais, denunciando práticas que poderão configurar excesso de discricionariedade, gestão pouco participativa e abuso de poder.
Na avaliação dos signatários, a manutenção deste quadro pode comprometer o ambiente organizacional, a produtividade das equipas e a credibilidade institucional da agência noticiosa pública.
Outro ponto destacado prende-se com a permanência prolongada de alguns delegados provinciais, cujos mandatos, segundo os trabalhadores, estarão ultrapassados.
A ausência de renovação e de avaliação regular dessas lideranças é apontada como um dos factores que contribuem para estilos de gestão considerados pouco inclusivos, marcados por arrogância funcional e fraco espírito de equipa.
Perante a situação, os jornalistas e funcionários administrativos solicitam à administração da ANGOP a realização de uma análise profunda e independente ao modelo de avaliação de desempenho nas delegações, o reforço dos mecanismos de transparência e contraditório, a revisão da situação dos delegados provinciais com mandatos expirados e a harmonização dos critérios avaliativos a nível nacional.
Os signatários defendem ainda a promoção de uma cultura institucional mais participativa e inclusiva, baseada no mérito e não em relações de proximidade, manifestando confiança de que a actual liderança poderá corrigir as distorções identificadas e restaurar a confiança interna na agência.