José Carlos critica liderança de João Lourenço e questiona continuidade no comando do MPLA
José Carlos critica liderança de João Lourenço e questiona continuidade no comando do MPLA
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O anunciado pré-candidato à presidência do MPLA, José Carlos de Almeida, lançou neste domingo duras críticas à liderança do partido exercida por João Manuel Gonçalves Lourenço, acusando-o de ter perdido coerência, credibilidade e liderança efectiva no seio da organização política que governa Angola desde a independência.

Num texto dirigido aos militantes do MPLA, José Carlos de Almeida afirma que, ao longo dos seus dois mandatos como presidente do partido, João Lourenço promoveu afastamentos “gratuitos” de numerosos camaradas, gerando divisões internas profundas.

Como exemplo mais recente, aponta o afastamento da camarada Carolina Cerqueira, juntando-o a uma longa lista de exonerações ocorridas no Executivo e em empresas públicas, com ou sem fundamentos claros.

Segundo o pré-candidato, o fracasso do actual líder do MPLA é evidente face ao não cumprimento das principais promessas eleitorais feitas desde o primeiro mandato presidencial, nomeadamente o combate eficaz à corrupção, a implementação das autarquias e a criação de 500 mil empregos.

“O líder falhou. Fracassou”, sublinha, defendendo que, em Dezembro de 2026, os militantes injustiçados poderão afastar João Lourenço da liderança do partido.

José Carlos de Almeida critica ainda o discurso do presidente do MPLA, que, segundo ele, tem desvalorizado e insultado camaradas históricos, rotulando-os de “cansados”, numa atitude que considera depreciativa para a terceira idade, grupo etário no qual o próprio João Lourenço se insere.

Questiona, por isso, como um dirigente que perdeu popularidade interna e externa poderá continuar a liderar o partido ou orientar um futuro candidato presidencial nas próximas eleições gerais.

No texto, o político e jurista alerta também para aquilo que descreve como uma crise de valores dentro do MPLA, marcada pela prevalência de interesses pessoais, apego a cargos e ausência de compromisso com as gerações actuais e futuras.

“Já não importa a qualidade política, a mentalidade ou a popularidade do chefe”, afirma, sugerindo que a coerência e a credibilidade deram lugar ao oportunismo.

Num tom fortemente simbólico, José Carlos de Almeida apela à reflexão interna, sugerindo que “haja espelhos” na sede do MPLA para que cada dirigente possa confrontar-se com a sua própria imagem, num exercício de autocrítica face à bajulação, ao servilismo e à falta de compromisso político.

José Carlos de Almeida apresenta-se como pensador, escritor, docente, jurista, crítico social, político e ambientalista. No mesmo texto, sublinha a sua trajectória pessoal, afirmando nunca ter estado envolvido em actos de corrupção ou práticas ilícitas, e aponta o Presidente português Marcelo Rebelo de Sousa como uma das suas principais referências políticas contemporâneas.

As declarações surgem num momento em que o MPLA começa a entrar num período pré-congressual marcado por tensões internas e debates sobre liderança, sucessão e rumo político do partido.

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