Juiz Isidro Coutinho sob suspeita de ter recebido suborno de 45 milhões de kwanzas para manipular decisão judicial
Juiz Isidro Coutinho sob suspeita de ter recebido suborno de 45 milhões de kwanzas para manipular decisão judicial
TCL-isidro

O juiz Isidro Coutinho João, magistrado da 3.ª Secção Cível do Tribunal da Comarca de Luanda, está a ser acusado de ter recebido um alegado suborno de 45 milhões de kwanzas para emitir um mandado de restituição provisória de posse a favor do cidadão Yamba Garcia, no âmbito do processo n.º 73/025-F.

A decisão, datada de 21 de Outubro de 2025, ordena a entrega judicial de um prédio rústico localizado na Centralidade do Kilamba, município do mesmo nome, ao requerente Yamba Garcia.

Entre os requeridos constam as entidades ADSE, NSD-Partner Group, Lucau Prestação de Serviço e outros, de acordo com os autos do processo.

Segundo o Club-K, o terreno reivindicado por Yamba Garcia corresponde à área onde se encontra o Centro Comercial Xyame e vários condomínios nos arredores do Kilamba. O requerente, conhecido como camponês, afirma que o terreno lhe foi retirado em Fevereiro deste ano.

No entanto, fontes próximas ao processo contestam a alegação, lembrando que desde 2010 já estava em construção o referido centro comercial, e que a Administração Municipal do Kilamba não tem competência legal para ceder terrenos com dimensão superior a 400 hectares, competência exclusiva do Ministro das Obras Públicas.

Em declarações reservadas, Yamba Garcia tem alegado que o terreno lhe foi oferecido pelo falecido Presidente José Eduardo dos Santos, informação que tem sido reiteradamente desmentida por várias fontes.

Documentos consultados indicam que a rede ligada a Yamba Garcia terá induzido o juiz Isidro Coutinho em erro, apresentando documentos falsos para sustentar a restituição.

O magistrado, apontado como integrante da rede de venda de sentenças associada ao antigo juiz presidente do Tribunal Supremo, Joel Leonardo, não terá conduzido as devidas diligências de verificação antes de emitir a decisão. O caso poderá agora ser revisto por uma instância judicial superior, com vista à sua anulação.

De acordo com informações adiccionais, parte do terreno em litígio estava a ser negociada com uma construtora chinesa para um projeto imobiliário avaliado em 25 milhões de dólares.

A polémica ganhou novos contornos após o activista e líder comunitário Manuel Victoriano Resende denunciar publicamente, a 30 de Outubro de 2025, alegadas ilegalidades cometidas pelo juiz Coutinho no âmbito desta providência cautelar.

Resende, presidente da Comissão de Moradores da Cidade do Kilamba, explicou que o processo foi instaurado por Yamba Garcia, que apresentou em tribunal uma declaração de posse relativa a 4.194.577 m² (cerca de 412 hectares) — uma área que, segundo o activista, excede as competências de qualquer administrador municipal.

“A cessão de terrenos dessa dimensão depende de despacho do Conselho de Ministros ou do Presidente da República”, afirmou Resende, descrevendo o processo como contendo “mil e um vícios formais e materiais”.

O activista apontou ainda falhas processuais na decisão judicial, alegando que o requerente não demonstrou o aproveitamento efectivo do terreno, exigido pela Lei de Terras, e que não foram cumpridos os requisitos previstos no artigo 393.º do Código de Processo Civil para decretar uma restituição provisória de posse (posse, esbulho e violência).

“A providência foi decretada sem se comprovar qualquer esbulho ou violência; o juiz não realizou inspeção ao local nem solicitou prova complementar à administração”, criticou Resende. “Como é que um juiz em sã consciência pode ignorar que um administrador municipal não tem competência para ceder 412 hectares de terra?”.

A denúncia também sublinha vícios de competência territorial e irregularidades nas provas apresentadas, apontando que o terreno não se encontra sob jurisdição do juízo que proferiu a decisão.

Manuel Victoriano Resende apelou às autoridades judiciais competentes para que seja aberta uma sindicância ao caso e exigiu sanções disciplinares contra o juiz Isidro Coutinho e os indivíduos envolvidos na apresentação de documentos falsos. O activista encorajou igualmente todos os cidadãos lesados pela decisão a recorrerem aos tribunais para repor a legalidade.

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