
Por detrás da protecção da ala brasileira da IURD em detrimento da direcção legítima, afinal há negócios em que envolve empresários cariocas e o ministro do Interior, Eugénio Laborinho. Resulta daí a sua preferência pela ‘turma’ de Edir Macedo.
Continua imprevisível o desfecho do caso da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), que opõe a direcção legítima liderada pelo bispo Valente Luís e um grupo que se identifica com a ala brasileira, comandada pelo prelado Alberto Segunda.
A semana que termina foi marcada por detenções de pastores da direcção legal da IURD em Cabinda e em Benguela, pela Polícia Nacional, quando tentaram reaver os templos para iniciar os seus cultos de que estão privados há três anos.
Tudo aconteceu quando o ministro do Interior, Eugénio César Laborinho, mandou autorizar a reabertura dos templos para serem entregues aos brasileiros, em Cabinda e em Benguela, em detrimento da direcção legítima da IURD, que é reconhecida pelo Estado angolano.
Em Benguela, a Polícia de Intervenção Rápida (PIR), foi chamada a intervir para pôr ordem, numa altura em que os ânimos estavam exaltados entre religiosos, sendo que a direcção da IURD sentiu-se injustiçada pela decisão tomada pelo titular do Interior.
Por que o ministro?
Esta e a questão que continua a ser levan- Ireneu Mujoco tada nos bastidores da IURD em Angola e nos círculos políticos e sociais, por se tratar de um assunto que teve o seu desfecho em tribunal, mas estranhamente aparece o ministro e assume a matéria como fosse do seu pelouro.
O ministro Eugénio Laborinho devia vir a público para esclarecer a sociedade angolana por que mandou entregar ou pretende entregar os templos a ala brasileira, quando existe uma direccão da IURD que é reconhecida pelo Estado, por intermédio do Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos (INAR), segundo exigem os pastores angolanos.
O silêncio do ministro do Interior sobre este assunto, que privou milhares de fiéis sem adoração nos seus templos habituais, levanta muitas suspeições, sobretudo quando o fiel da balança pende para um lado que não ganhou a causa em tribunal.
O ministro não pode pensar que esteja a ser ‘perseguido’ pela imprensa e pelas redes sociais por razões inconfessas, como desabafou a um dos seus amigos, uma figura influente no Comité Provincial do MPLA, em Luanda, do qual faz parte, mas o que a sociedade quer, principalmente a direcção da IURD, é tão somente explicar as razões do seu envolvimento num assunto em que não é chamado a intervir, mas fá-lo a favor dos brasileiros.
No seio da IURD levantam-se especulações de que Eugénio César Laborinho estará a favorecer a ala do bispo Alberto Segunda, que, para além de apoio a uma eventual candidatura à direcção do partido, como noticiamos nas nossas edições, possui negócios com empresários brasileiros em Angola, cujos interesses são protegidos pela sua empresa de segurança privada, conhecida por 5S, incluindo a embaixada.
Entrega de templos
Segundo fontes da IURD, o ministro do Interior terá orientado alguns comandantes provinciais da Polícia Nacional para protegerem os pastores e bispos da ala brasileira no seus ministérios, dando-lhes a possibilidade de realizarem cultos ou outras actividades religiosas onde pretenderem, ao contrário da outra parte que está impedida de o fazer.
As declarações atribuídas a Eugénio Laborinho pelas nossas fontes, levantam várias interpretações, numa altura em que o clima de tensão entre as duas alas vai aumentando, sob o olhar impávido e sereno de quem devia acalmar os ânimos.
As acusações contra Laborinho, de favorecer a ala brasileira subiram de tom na segunda-feira última, depois da detenção dos presbíteros nas duas cidades acima referenciadas, e ao que tudo indica muita água ainda vai correr de baixo da ponte, como soe dizer-se.
Sobre o caso de Benguela, onde, segundo fontes deste jornal, o ministro terá ordenado a corporação reabrir os templos aos ‘brasileiros’, o que terá motivado amotinação, banida depois pela PIR, tentámos ouvi-lo, mas sem sucesso, por não ter respondido às nossas chamadas e às mensagens.
Contactamos o porta-voz do Ministério do Interior, superintendente Vasco da Gama, mas este remeteu-nos para falar com o comandante da Polícia Nacional em Benguela, comissário Aristófanes dos Santos, por ter sido lá onde decorreu o assunto, mas este também não respondeu às nossas chamadas.
in Pungo a Ndongo