Ladrões roubam produtos agrícolas para vender ao Grupo Carrinho
Ladrões roubam produtos agrícolas para vender ao Grupo Carrinho
Grupo Carrinho

A agricultura familiar tem sido o salva-vidas da população angolana para enfrentar a crise alimentar. Entretanto, esta vocação tem sido frustrada pelos ladrões que, impulsionados pelo lucro fácil, furtam produtos diretamente das lavras para vender nos mercados ou aos grupos empresariais que passam pelas suas comunidades.

Numa ronda feita em algumas províncias do país, este jornal constatou que há famílias que perderam quase todos os produtos cultivados e anteveem uma safra fraca e muita fome. Pior ainda é que os produtos cultivados não chegam à fase de colheita, sendo logo pilhados.

No município do Chinguar, província do Bié, por exemplo, o agricultor David Savitela informou que os “gatunos” simplesmente arrancam tudo para vender. No entanto, há produtos que não chegam aos mercados por causa da péssima qualidade. Ele explicou que, este ano, teve uma fraca produção, porque os referidos gatunos não esperaram que o milho secasse.

“Eles aproveitam a calada da noite, pegam nas suas motos de três rodas e transportam os produtos furtados”, informou, salientando que muitos deles vão armados com catanas e pistolas.

Realidade idêntica é vivida por Alfredo Sandalu, que se dedica ao cultivo de citrinos na embala Chitundu, a 18 quilómetros da cidade do Kuito. Para ele, os ladrões estragam os produtos ao não deixarem que cresçam.

Frustrado e sem mãos a medir, tomou uma decisão: deixar de cultivar e arrancar todas as tangerineiras e laranjeiras. “Esforcei-me tanto para ter este pomar, mas prefiro perder tudo a deixar que esses homens continuem a prejudicar-me”, lamentou.

Quem também está agastado com o elevado índice de roubo de produtos alimentares nos campos agrícolas e animais domésticos são os munícipes de Catabola. Para eles, se de um lado empresas como a Carrinho têm feito um bom trabalho ao facilitar a comercialização de produtos diretamente das zonas de cultivo, por outro lado, “estão a impulsionar o roubo, porque agora toda a gente quer vender e, quando não têm nada para vender, pilham os produtos dos outros”.

“Eles levaram tudo: a mandioca, banana, batata-doce, cana-de-açúcar, ginguba, milho, feijão, inhame e rabanetes”, lamentou Verónica Muhamba, uma anciã agricultora do município de Chitembo, que confidenciou que, para salvar a colheita, teve de arrancar o que restou, mesmo não tendo chegado à fase de colheita.

Recentemente, relembra, foi à sua lavra e encontrou homens armados a arrancarem mandioca. Indefesa, regressou à sua comuna para pedir ajuda, mas para nada valeu, pois os larápios já tinham fugido. Eles preveem um agravamento da crise alimentar, não só no Bié, mas em todas as localidades onde este fenómeno se verifica.

No Huambo, Cuanza Sul e Benguela vive-se o mesmo cenário. Os ladrões agem em perfeita sintonia com os detentores de camiões que transportam os produtos até aos maiores centros urbanos.

in Na Mira do Crime

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