Ligação a Joel Leonardo fragiliza credibilidade de Daniel Modesto Geraldes
Ligação a Joel Leonardo fragiliza credibilidade de Daniel Modesto Geraldes
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Os adágios populares “Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és” ou, se preferir, “quem anda com bandido, bandido é” podem aplicar-se a este caso particular da vida profissional do juiz conselheiro do Tribunal Supremo, Daniel Modesto Geraldes, que almeja, a todo o custo, assumir cargos de liderança no sector da justiça, fazendo jus ao ditado “quem não arrisca, não petisca”.

É comum ouvir-se este tipo de provérbio como forma de alerta quanto às companhias e à influência que estas exercem no comportamento e na forma como cada um é visto pelos outros.

A sucessão de candidaturas de Daniel Modesto Geraldes a cargos de topo da justiça angolana tem gerado crescente desconforto nos bastidores, com analistas a questionarem se as suas intenções resultam de ambição institucional ou de uma “dívida moral” para com o seu primo, o ex-presidente do Tribunal Supremo, Joel Leonardo.

A polémica ganha força no contexto da queda de Joel Leonardo, forçado a demitir-se da liderança do Tribunal Supremo em Agosto de 2025, após um mandato marcado por fortes críticas e denúncias de má gestão, corrupção e alegada comercialização de decisões judiciais.

O nome de Modesto Geraldes surge associado a decisões judiciais controversas em casos envolvendo figuras como Augusto Tomás, ex-ministro dos Transportes, e Higino Carneiro, ex-governador de Luanda e do extinto Cuando Cubango, além de referências a possível tráfico de influência.

Ainda que muitas destas acusações não tenham sido judicialmente confirmadas, a sua persistência no espaço público contribui para fragilizar a sua imagem.

É neste contexto que Modesto Geraldes surge como figura recorrente nas disputas por posições estratégicas, primeiro ao concorrer à presidência do Tribunal Supremo e, mais recentemente, à Procuradoria-Geral da República.

Ambas as tentativas falharam. Na corrida ao Tribunal Supremo, acabou preterido pelo Presidente João Lourenço, que nomeou Norberto Sodré João. Já na eleição para Procurador-Geral da República, o desempenho foi ainda mais revelador: obteve apenas um voto – o seu próprio -, o que foi interpretado por observadores como sinal claro de isolamento dentro da magistratura.

Para fontes do Imparcial Press, a insistência de Daniel Modesto Geraldes em alcançar cargos de topo não pode ser dissociada do passado recente e da relação privilegiada que manteve com Joel Leonardo.

Recorda-se que, durante o consulado do antigo presidente do Tribunal Supremo, o magistrado acumulou influência significativa e beneficiou de uma posição informal de poder, frequentemente descrita como acima da sua função oficial, sendo mesmo visto como uma espécie de “vice-presidente sombra”.

É precisamente essa proximidade que hoje levanta suspeitas. A leitura que ganha espaço entre analistas é a de que a tentativa de ascender a posições-chave do poder judiciário poderá estar ligada à necessidade de proteger o antigo líder do Tribunal Supremo, actualmente associado a processos-crime na Procuradoria-Geral da República.

A ideia de uma “dívida moral” – construída ao longo de anos de proximidade e benefícios mútuos – surge como explicação recorrente para estas movimentações. Para muitos observadores, a questão central já não é apenas o passado de Daniel Modesto Geraldes, mas o impacto que esse passado pode ter nas decisões futuras.

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