
O jornalista Luís Domingos, antigo rosto da Televisão Pública de Angola (TPA), será o novo moderador do programa “Estado da Nação”, debate sabatino da Rádio MFM.
Domingos assumirá já no próximo sábado o espaço deixado vago por José Neto Alves Fernandes, que se despediu no passado dia 16, apenas uma semana após ter protagonizado um episódio que desagradou a ouvintes e constrangeu a direção da estação.
No mesmo dia, a MFM anunciou a cessação da relação jurídico-laboral com Alves Fernandes, justificando a decisão com “um novo desafio profissional” a que o jornalista irá dedicar-se, rejeitando, porém, que o afastamento tivesse origem em razões editoriais.
Num comunicado, a direção garantiu que a moderação do “mais ouvido debate radiofónico da atualidade” ficaria a cargo de um “experiente jornalista da estação”. Inicialmente, o nome de Manuel Vieira, profissional da casa, chegou a ser apontado como sucessor.
No entanto, ao longo da tarde do mesmo sábado, ganhou força a informação de que a escolha recairia sobre Luís Domingos, conhecido pelo seu trabalho nos anos 1990 à frente do programa televisivo “Nação Coragem”, uma produção da brasileira Orion.
Entretanto, Alves Fernandes prepara-se para integrar os quadros da Rádio Marginal, pertencente ao grupo de média do empresário Emanuel Madaleno, onde reencontrará antigos colegas da MFM, como Paulo Miranda Jr. e, em breve, Pedro Gomes (Man Gomito), que também se prepara para deixar a estação. Antes deles, Tony Fancy já havia transitado para um outro projeto radiofónico ligado ao mesmo grupo.
Analistas apontam que a saída em cadeia de profissionais da MFM poderá estar ligada a Bruno Reis, antigo proprietário da estação, e ao crescimento do portfólio de Emanuel Madaleno, que além da Rádio Marginal, detém os jornais Novo Jornal e Expansão, e é visto como potencial investidor na televisão, com especial interesse na TV Zimbo, cuja gestão tem sido problemática para o Executivo.
Resta ainda esclarecer se o jornalista e docente universitário Carlos Rosado manterá a intenção de se afastar do “Estado da Nação”, ou se a nova fase do programa, sob a condução de Luís Domingos, poderá levá-lo a reconsiderar.