
Vários camponeses residentes nas zonas fronteiriças, na Lunda-Norte , estão envolvidos no contrabando de combustível, com ajuda dos camionistas que transportam o produto de Luanda para a região leste do país, denunciou esta quinta-feira, o director do Serviço de Investigação Criminal local, António Chilala.
Em declarações à imprensa, no final da reunião entre a Comissão Técnica para Identificação da Matéria do Crime de Contrabando de Produtos Petrolíferos e os órgãos de coordenação local de justiça, o responsável denunciou que os camionistas já têm clientes (camponeses) identificados e descarregam o combustível nas lavras.
Realçou que a acção tem sido realizada no período noturno ou à madrugada, longe da fiscalização policial, um facto que tem dificultado em grande medida, a acção dos órgãos de defesa e segurança.
Para combater, prosseguiu, o Serviço de Investigação Criminal em coordenação com outros órgãos do Ministério do Interior, têm já montada uma estratégia, que visa desmantelar os contrabandistas.
Destacou que os postos de abastecimento instaladas ao longo da Estrada Nacional 225 e na linha fronteiriça (Angola/República Democrática do Congo), também têm facilitado o contrabando de combustível.
Para contrapor, disse estar em curso uma operação para identificar os postos de abastecimento que beneficiam este crime e serem desactivados.
Acrescentou que a vulnerabilidade dos postos fronteiriços Marco 17, 18, 19, 20 e 25, também facilita o transporte do derivado petrolífero para a República Democrática do Congo (RDC).
Os municípios de Cambulo, Chitato e Caungula, são os principais centros do contrabando de combustível, segundo António Chilala.
Por outro lado, informou que de 2024 até Fevereiro deste ano, foram apreendidos 708 mil e 817 litros de combustível, sendo 337 mil e 670 de gasóleo e 371 e 147 de gasolina, em várias micro-operações.
Foram igualmente apreendidas 30 viaturas, 315 motorizadas de três rodas e seis bicicletas, utilizadas no contrabando.
A Comissão Técnica para Identificação da Matéria do Crime de Contrabando de Produtos Petrolíferos, coordenada pelo Juiz Conselheiro Presidente da Câmara Criminal do Tribunal Supremo, Daniel Geraldes, trabalhou durante algumas horas na cidade do Dundo, para se inteirar dos resultados das operações dos órgãos de defesa e segurança, contra este crime.
Depois da Lunda-Norte, a Comissão vai trabalhar, na sexta-feira, no município de Saurimo, província da Lunda-Sul, com o mesmo objetivo.