
Um homem de 69 anos, dado como desaparecido após uma briga ocorrida no dia 30 de Janeiro, foi encontrado morto no dia seguinte nos arredores do bairro Kacombo, no município de Kassanje-Calucala, província da Lunda Norte.
A vítima, identificada por José Nguvu, natural de Kunda-Dia-Base, província de Malanje, apresentava sinais de tortura, com o pescoço partido e o corpo parcialmente carbonizado, tendo sido localizado nas margens do Rio Cuango.
Populares da localidade acusam efectivos da empresa Muapi Diamond Angola S.A. de estarem envolvidos no crime, alegando que o homem terá sido espancado até à morte e posteriormente queimado com o objectivo de dificultar a sua identificação.
“Eles ceifaram a vida de um senhor por meio de tortura e depois carbonizaram o corpo. Após ser espancado até à morte, transportaram o cadáver para outro local e atearam fogo”, denunciou um morador, que pediu anonimato.
Segundo relatos recolhidos no local, o grupo de segurança acusado seria chefiado por um indivíduo identificado apenas por Jesus, enquanto a missão teria sido liderada por Sebastião, conhecido por “Sierra 1”, afectos à empresa Muapi Diamond, que opera naquela circunscrição da província da Lunda-Norte.
Familiares da vítima apelam à intervenção do Presidente da República, com vista ao fim da impunidade e à responsabilização dos autores de alegados actos de tortura e homicídios registados, segundo os mesmos, em várias zonas da região, incluindo Kassanje-Calucala, Cafunfo, Cuango, Xá-Muteba e Capenda-Camulemba.
Habitantes locais afirmam que a empresa de segurança privada é alvo de queixas recorrentes há vários anos, acusada de envolvimento em execuções sumárias e disparos contra civis indefesos, com alegado abandono de corpos no rio Cuango ou enterramentos clandestinos sem comunicação às famílias.
Os populares defendem que os seguranças envolvidos devem responder criminalmente por homicídio qualificado e tortura, sublinhando que a execução extrajudicial constitui uma grave violação da lei e dos direitos humanos, com potenciais repercussões a nível internacional.
Até ao momento, não há informações oficiais das autoridades sobre detenções ou a abertura formal de um processo criminal relacionado com o caso.