
A Polícia Nacional de Angola (PNA) deteve, nesta segunda-feira, mais de 100 indivíduos suspeitos de envolvimento em atos de vandalismo, arruaça e pilhagem a estabelecimentos comerciais, na sequência da greve de três dias convocada por associações de taxistas em Luanda.
Em conferência de imprensa realizada na Unidade de Reacção e Patrulhamento, o porta-voz da corporação, subcomissário Mateus de Lemos Rodrigues, repudiou os incidentes registados desde as primeiras horas do dia, sublinhando que as ações provocaram alterações à ordem e tranquilidade públicas em vários pontos da capital.
“Condenamos veementemente todos os comportamentos que ponham em causa a segurança e a tranquilidade da população. A Polícia Nacional continua a desenvolver acções operacionais para restabelecer a legalidade e responsabilizar criminalmente os infratores”, afirmou o oficial.
Além das detenções, a polícia confirmou a apreensão de diversos bens saqueados, o vandalismo de pelo menos 20 autocarros e danos em veículos particulares, ainda em fase de contabilização. O subcomissário informou que os indivíduos detidos serão apresentados aos órgãos de justiça nas próximas horas.
Mateus Rodrigues assegurou que o dispositivo de segurança permanece reforçado em toda a extensão da cidade de Luanda, e pediu à população para manter a serenidade.
Apelou ainda aos órgãos de comunicação social a disseminarem mensagens de repúdio e desencorajamento contra atos de desordem pública, de forma a evitar a escalada da violência.
“Do ponto de vista das medidas, elas continuam elevadas. As forças de segurança pública continuam nas ruas a garantir que os pequenos focos de desordem sejam prontamente desativados”, sublinhou o subcomissário.
Quanto ao número de detenções, o responsável considerou prematuro avançar dados finais, tendo em conta que as operações continuam. “O foco da Polícia está na reposição total da legalidade e na normalização da ordem pública”, reforçou.
A paralisação geral dos serviços de táxi foi convocada em protesto contra o aumento do preço do gasóleo, que subiu de 300 para 400 kwanzas por litro a partir de 4 de julho, representando um reajuste de 33% no âmbito da política de remoção gradual dos subsídios aos combustíveis.
Como consequência, as tarifas dos transportes públicos também foram revistas, passando os táxis de 200 para 300 kwanzas, e os autocarros de 150 para 200 kwanzas por viagem.
Durante a jornada de segunda-feira, registaram-se vários episódios de tensão e violência, principalmente em zonas periféricas, com relatos de saques, barricadas, vandalismo e confrontos entre manifestantes e forças de ordem.
Até ao momento, não foram oficialmente confirmadas vítimas mortais, mas os relatos apontam para prejuízos avultados em propriedades privadas e públicas.