
A província da Malanje está de luto. Morreu na madrugada deste sábado, 12, em Lisboa (Portugal), aos 62 anos de idade, um dos seus filhos mais querido, o empresário (e ex-deputado do MPLA) Monteiro Pinto Capunga, mais conhecido por “Capunga da MIAMOP”, vítima de doença prolongada.
O malogrado defendia a introdução da pena de morte no actual Código Penal como a medida ajustada para os cidadãos que não dão valor à vida, cometendo crimes que terminam em mortes.
O malogrado era natural do município de Marimba, foi proprietário da empresa “MIAMOP”. Foi casado com Deolinda Francisco Pinto e deixou 11 filhos (pelo menos até 2010).
Foi deputado à Assembleia Nacional e membro do Comité Central do MPLA. Até a sua morte era membro do Comité Provincial do Partido em Malanje.
Reacções
A presidente da Assembleia Nacional, Carolina Cerqueira, enalteceu, este sábado, os feitos e contributo do antigo deputado Monteiro Pinto Capunga, na casa das leis.
Em mensagem de condolências, Carolina Cerqueira considera o antigo deputado como um destemido defensor dos ideais mais nobres das angolanas e dos angolanos, tendo emprestado a sua forte voz e firme convicção pelo ideal de uma Angola próspera desenvolvida e reconciliada.
“Figura carismática e humilde, sempre se dedicou a causas filantrópicas e sociais em benefício das populações mais carenciadas, em particular na província de Malanje e da sua terra natal, Marimba”, lê-se na mensagem.
Carolina Cerqueira endereça, em nome dos deputados, funcionários, agentes e do colectivo da Assembleia Nacional, condolências à família e amigos, augurando que a sua lembrança prevaleça na memória colectiva como um destemido e incansável defensor da Pátria Angolana.
Num comunicado de imprensa assinado pelo presidente do Grupo Parlamentar do MPLA, Virgílio de Fontes Pereira, os deputados do partido no poder consideram a morte de Monteiro Capunga uma grande perda para o partido e para o país.
No comunicado, o Grupo Parlamentar do MPLA manifesta profunda consternação pelo passamento físico do seu militante e endereça à família enlutada as mais sentidas condolências.
Monteiro Pinto Capunga foi deputado do MPLA à Assembleia Nacional pelo círculo provincial de Malanje, de 2008 a 2022.
O segundo secretário do Comité Provincial de Malanje do MPLA, Manuel Carvalho da Costa, lamentou a morte prematura do empresário e ex-deputado da sua bancada parlamentar, durante a abertura da terceira reunião extraordinária do Comité provincial da JMPLA. Lembrou que Monteiro Capunga deu todo o seu saber por Malanje, com realce para os momentos mais difíceis que a província viveu.
Numa altura em que a circulação de carros para Malanje era arriscada, Monteiro Capunga não olhou a meios, abasteceu a província com alimentação e ajudou as forças militares que defendiam a cidade com os meios ao seu alcance, recordou.
Perfil
Monteiro Pinto Capunga nasceu em 1961, no município de Marimba. Em vida, o malogrado fez de tudo um pouco. Foi empregado doméstico, engraxador e mecânico. Nunca virou as costas à luta e deu sempre o seu máximo para triunfar.
Deixou a sua terra natal, Marimba, na década de 70 e chegou a Malange para melhorar a sua vida. O país estava às portas da proclamação da independência nacional e por dever patriótico ingressou nas FAPLA. Passou pela escola de oficiais Nicolau Gomes Spencer, no Huambo, e cumpriu várias missões militares.
Quando passou à disponibilidade, Monteiro Capunga foi trabalhar para o Ministério do Comércio em Malange, tendo de seguida trabalhado nas províncias do Cuanza Norte, Zaire, Cuando Cubango e Cunene. Enfrentou em Menongue e Ondjiva os momentos mais difíceis da sua carreira profissional, pois na altura, as referidas províncias sofriam ataques das tropas regulares do exército sul-africano.
Depois do acordo de Bicesse, Monteiro Capunga lançou-se no mundo dos negócios e fundou a empresa MIAMOP em Malange, que algum tempo depois se expandiu para Luanda. Em 1993, abriu as filiais da empresa no Namibe e Cunene, tendo conhecido um decréscimo nos negócios, devido à guerra que se seguiu às eleições de 1992.
Durante os anos de 1997 e 98, a situação político-militar conheceu a sua maior degradação na província de Malange. Monteiro Pinto Capunga trazia produtos de Luanda e muitos eram distribuídos gratuitamente pelos mais necessitados.
Foi membro activo da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo, fundada pelo profeta Simão Gonçalves Toco, desde o ano de 1969.
Monteiro Pinto Capunga foi deputado à Assembleia Nacional pelo círculo provincial de Malanje nas 2ª e 3ª legislaturas e pelo círculo nacional na 4ª legislatura, tendo deixado a sua marca indelével nas páginas do parlamentarismo angolano.
Apesar do sucesso no mundo empresarial, Capunga da MIAMOP guardava na sua memória uma triste recordação, a morte de sua mãe que ocorreu em 2008, na província de Malange. Dizia que sentia uma grande tristeza quando se lembra daquele infortúnio.
Mas tinha motivos para se sentir feliz. Sobretudo no primeiro dia em que os seus aviões rasgaram os céus de Luanda marcaram a sua vida.
Em 2018, aquando da revisão do actual Código Penal, Monteiro Pinto Capunga, na qualidade de deputado, defendeu a reintrodução da pena de morte em Angola.
“Quem tira a vida de outra pessoa, lhe deve ser aplicada a mesma medida, ao invés de passar longos anos nas cadeias à custa do Estado”, disse na altura.