Manuel Rabelais: a queda do maior locutor dos relatos de futebol em Angola – Mukila wa Nzaji
Manuel Rabelais: a queda do maior locutor dos relatos de futebol em Angola - Mukila wa Nzaji
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Em tribunal, Manuel Rabelais e o seu comparsa dos crimes Gaspar Santos eram os rostos da agonia e da vergonha por estarem a ser julgados por práticas que eram comuns e representavam o “modus habis” na gestão da coisa pública.

Manuel Rabelais, o ralator do futebol que um dia os portugueses quiseram levar consigo para Portugal, era os mais rendido em julgamento. A força dos factos que sobre si pesavam revelavam dois homens resignados com a precisão de cada detalhe, cada revelação dos factos.

O homem que um dia construiu à sua volta muitos mitos, revelava, em tribunal, que não era jurista – ainda no início da produção da prova em juízo – para perceber a qualificação jurídica dos seus actos, até porque estava sempre a agir em nome do Estado, e de um poder político personificado por José Eduardo dos Santos.

Mas, nos corredores da RNA, de onde emergiu, “Man Manele” ou “Man Rabas” era conhecido como jurista. O antigo professor de Língua Portuguesa nas escolas do Cazenga chegou a director da RNA, após a fuga massiva dos “mestiços” da estação, instalando um reino omnipotente e omnipresente, na vida pessoal e profissional de todos os trabalhadores.

Nos corredores da RNA, os fãs “vertebrados” até imitavam o seu andar, a sua fala, os seus relatos do futebol. Até a forma de usar as calças, soltando um pouco a fivela do cinto para a soltar as calças. E o andar? O “hun hun”? Era moda.

Chegar a ministro da Comunicação Social foi só virar a esquina. O poder tinha ganhado mais poderes. Era o “salto do cisne”. Chegou a secretário de José Eduardo dos Santos para a comunicação.

Dirigiu um dos maiores gabinetes de propaganda, provavelmente, sem paralelo em África – o GRECIMA. É aqui que a queda do homem, que até escapara de um pré-processo da PGR por actos improbos do CAN 2010, se escondia, preparada e “enbruxada”.

O julgamento foi uma vergonha e humilhação para o homem que teve sempre à sua volta o maior “exército” de jornalistas, competentes e incompetentes. No rolo de “testemunhas abonatórias”, alguns jornalistas veteranos “vertebrados” estavam mitificados. Uns eram declarantes. Mas conseguiram “não aparecer” no tribunal. Foram dispensados.

Mas ninguém, daqueles conhecidos, apareceu em meses de julgamento – eu estive lá, não para o apoiar, mas para “cobrir”, olhar o homem no rosto. Um só homem, “caninamente” fiel, era presença incansável. Estava em todas as audiências de julgamento. Conheço este antigo jornalista dos corredores da RNA. Conhecido por “Boa Ideia”.

No dia da leitura do acórdão, uns poucos parentes dispersos pela sala do tribunal. Na leitura de decisão, o Peculato venceu os dois homens, Manuel Rabelais, arguido principal, e Gaspar Santos, co-autor. Os dois rapartiram condenações de 14 anos de prisão e de 10 anos, respectivamente. Um recurso suspensivo, tempestivo claro, até evitou o recolhimento já aos calabouços.

Percorridos todos os graus de recurso, cinco anos depois, ambos viram as penas reduzidas à metade. Agora, a “nega” do Constitucional sobre outro recurso para reduzir, ainda mais, as penas vai ser confirmada por despacho do Supremo. Só um indulto, um dia desses cedo, ou uma condicional a meio da execução das penas salva os homens.

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