Manuel Vicente demarca-se dos generais Kopelipa e Dino
Manuel Vicente demarca-se dos generais Kopelipa e Dino
Manuel Vicente

O ex-vice-Presidente da República e antigo presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Manuel Vicente, distanciou-se formalmente dos generais Manuel Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa” e Leopoldino Fragoso do Nascimento “Dino”, num processo que está a ser julgado pelo Tribunal Supremo e que envolve acusações graves de corrupção, incluindo peculato, burla por defraudação, falsificação de documentos, associação criminosa e abuso de poder.

Durante a sessão realizada esta terça-feira, o Ministério Público leu as declarações escritas de Manuel Vicente, prestadas em 2020 à Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP), no âmbito da instrução preparatória do processo.

Nas respostas, Manuel Vicente afirmou desconhecer qualquer investimento da empresa CIF-Angola no país e negou qualquer envolvimento nas alegadas operações ilícitas em que os generais são acusados.

Questionado sobre os 27 carregamentos de petróleo vendidos à China e que, segundo a acusação, nunca terão sido pagos ao Estado angolano, Manuel Vicente mostrou-se cético.

“Não é possível a China-Sonangol receber o petróleo e não pagar! Não, não é possível”, declarou, acrescentando que o Ministério das Finanças deve ter registos desses pagamentos e que o processo de venda de petróleo é cercado de regras rigorosas, incluindo a verificação da existência legal e da idoneidade da empresa compradora.

“Quando se vende petróleo a uma empresa, é necessário analisar os contratos. Não se vende petróleo a uma empresa que não existe”, reforçou Vicente, respondendo à acusação do Ministério Público, que caracteriza a China-Sonangol como uma “empresa fantasma” usada pelos arguidos para beneficiar ilicitamente de recursos públicos.

Desconhecimento sobre CIF-Angola e imóveis

Sobre o envolvimento da CIF-Angola em investimentos imobiliários, incluindo a Urbanização Vida Pacífica, o ex-dirigente da petrolífera nacional disse não ter conhecimento da aquisição de 22 edifícios supostamente comprados pela Sonangol, nem sobre a indicação da empresa Delta Imobiliária como intermediária nas vendas de imóveis da CIF-Hong Kong nas centralidades construídas pelo Estado.

As declarações de Manuel Vicente foram lidas no tribunal um dia depois da leitura do depoimento escrito do antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, já falecido, também prestado durante a fase de instrução do processo.

O julgamento dos generais Kopelipa e Dino continua na próxima semana com a audição de cinco novos declarantes arrolados no processo. O caso continua a atrair forte atenção pública e política, sendo visto como um dos mais emblemáticos esforços do sistema judicial angolano no combate à corrupção ao mais alto nível.

com/Novo Jornal

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