Marcolino Moco solidariza-se com perseguidos políticos em Angola
Marcolino Moco solidariza-se com perseguidos políticos em Angola
Marc Moco

O antigo primeiro-ministro e ex-secretário-geral do MPLA, Marcolino Moco, manifestou solidariedade para com cidadãos que diz estarem a ser “vergonhosamente perseguidos” em Angola, num posicionamento público feito a partir do estrangeiro, onde se encontra actualmente.

Num texto de forte teor crítico, Marcolino Moco presta homenagem ao jornalista e dirigente sindical Teixeira Cândido, sublinhando a sua “luta pacífica” contra um sistema que, segundo afirma, actua persistentemente contra as liberdades fundamentais dos angolanos.

O antigo governante considera que o actual contexto político representa um retrocesso histórico, chegando a classificá-lo como “pior que o regime colonial” e “mais grave do que o antigo regime de partido-Estado”, abandonado formalmente com os Acordos de Bicesse, em 1991.

Marcolino Moco alerta ainda para os riscos de se avançar para novas eleições sem que seja previamente assegurada uma verdadeira reconciliação nacional.

Na sua visão, esse processo deveria incluir o reconhecimento de erros do passado, pedidos públicos de perdão e um compromisso efectivo com a reconciliação entre actores políticos e militares historicamente antagonistas.

O antigo primeiro-ministro recorda, a propósito, o Congresso da Reconciliação Nacional realizado no final do ano passado sob a égide da Igreja Católica, onde, segundo refere, foram apresentados contributos relevantes de jornalistas, juristas e militares para ultrapassar feridas ainda abertas no país.

“As riquezas de Angola chegam para todos, sobretudo para os nossos filhos e netos”, sublinha, defendendo um novo pacto social assente na inclusão e no respeito pelas liberdades.

As declarações de Marcolino Moco surgem na sequência de uma revelação da Amnistia Internacional, que confirmou que Teixeira Cândido foi alvo, em 2024, de um ataque com o spyware Predator, um programa altamente intrusivo utilizado para vigilância secreta de telemóveis.

Segundo a organização de defesa dos direitos humanos, uma análise forense ao iPhone do jornalista confirmou que o software esteve activo no dispositivo a 4 de Maio de 2024, permitindo acesso total às comunicações, dados pessoais e funcionalidades do aparelho, incluindo o microfone e a localização em tempo real.

Trata-se da primeira confirmação técnica conhecida do uso do spyware Predator em Angola, um facto que levanta sérias preocupações sobre a liberdade de imprensa, a privacidade e o respeito pelos direitos humanos no país.

A organização internacional apela a uma investigação independente e transparente para apurar responsabilidades e garantir a protecção de jornalistas e activistas em Angola.

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