Marginais invadem casa de óbito no bairro Bita Progresso e saqueiam alimentos e aparelho de som
Marginais invadem casa de óbito no bairro Bita Progresso e saqueiam alimentos e aparelho de som
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Um grupo de indivíduos desconhecidos vandalizou uma casa de óbito no bairro Bita Progresso, no distrito urbano da Cidade Universitária, município de Talatona, em Luanda, deixando a família do falecido António Xavier, de 63 anos, em estado de choque.

O incidente ocorreu na noite de domingo, 26 de Janeiro, por volta das 22h, e resultou no saque completo dos preparativos, incluindo alimentos e aparelho de som, soube o Imparcial Press.

Segundo as testemunhas, os assaltantes fingiram ser membros da família para obter acesso ao local. O falecido António Xavier, que morreu na passada sexta-feira, 24, vítima de doença prolongada, no Hospital Geral de Luanda, estava a ser velado na residência quando ocorreu o ataque.

Moradores da área, visivelmente perplexos com o ocorrido, apontaram para a falta de policiamento comunitário como um fator que contribui para o clima de insegurança no bairro.

“A ausência de policiamento de proximidade deixa-nos vulneráveis a este tipo de situações”, lamentou um residente.

Damião e Jocelina Xavier, filhos do falecido, confirmaram o episódio, destacando a indignação e tristeza causadas pela situação. Sem alternativas, a família foi obrigada a adiar as exéquias, comprometendo a homenagem a António Xavier, descrito como um guardião de valores e princípios familiares.

A socióloga Marieth da Costa classificou o acto como um reflexo da crise de valores que afeta a sociedade angolana.

“Estamos numa profunda decadência de valores. Não é normal, numa sociedade que se diz sã, que cidadãos vandalizem uma casa de óbito para roubar preparativos, incluindo alimentação. Isso demonstra a falência do estado em cumprir as suas responsabilidades e o abandono das famílias à sua sorte”, afirmou.

O teólogo e pastor Daniel Silva José, da igreja missionária “Jesus é o Único Salvador”, considerou o incidente um desrespeito à memória do falecido e aos valores humanos.

“Os mortos precisam ser respeitados tanto quanto os vivos. Este comportamento revela uma crise ética profunda e uma desvalorização das nossas tradições e valores”, sublinhou, apelando às autoridades para conduzirem uma investigação rigorosa e identificarem os responsáveis.

O Imparcial Press procurou ouvir o esclarecimento da comissão de moradores do bairro e do comando municipal da Polícia Nacional, mas não obteve resposta até ao fecho desta edição.

Este episódio lamentável expõe não apenas um problema de segurança, mas também uma crise moral que exige atenção urgente das autoridades e da sociedade civil.

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