
A directora geral da Maternidade Municipal do Uíge, Fernanda Elsa Alberto Ngunza, revelou ontem, quinta-feira, que mais de 200 cirurgias de mioma uterino (tumores uterinos benignos formados por tecido muscular) foram efectuadas, desde Novembro de 2023, num total de 300 casos da doença diagnosticados naquela instituição sanitária.
A responsável fez esse pronunciamento no final de uma palestra sobre “Rastreio dos tumores benignos femininos e não só“, explicou que nesse período a maternidade registou 300 casos da doença.
Durante a palestra, enquadrada na celebração do 9.º aniversário da maternidade municipal, assinalado na quarta-feira última, Fernanda Ngunza explicou que 64 casos encontram-se na lista de espera.
A especialista admitiu haver um elevado número de miomas uterinos em mulheres com idades dos 20 a 50 anos de idade, com maior prevalência em idade fértil.
Quanto às causas, apontou a obesidade, aparecimento prematuro da menstruação, uso de carne vermelha, anticoncepcional sem orientação médica, entre outras doenças crónicas e antecedentes familiares.
Quanto aos tumores de ovários, a directora geral da maternidade municipal do Uíge informou que foram diagnosticados 30 casos em mulheres com idade entre 19 a 60 anos, dos quais 3 resultaram em morte, devido ao estado avançado da doença.
Desta forma, apelou a todas mulheres em idade menstrual a fazer consulta médica de rotinas ginecológicas, uma vez que os tumores de ovários são assintomáticos e só se detectam em exames como RX, TAC e outros.
Em relação às dificuldades da maternidade, apresentou como desafio a conclusão do bloco operatório, aquisição de um RX para funcionamento de um aparelho histerosalpingografia, falta de especialista em anestesiologia, anatomia patológica, neonatologista, parteira e psicólogo clínico.
Entre vários desafios, apontou a transformação da maternidade em escola para formação de médicos em ginecologia obstetrícia, cooperação institucional entre maternidade nacionais, construção de um depósito de medicamento e arrecadação para arquivo médicos entre outros.
Por sua vez, a directora do Gabinete Provincial da saúde no Uíge, Kavenaweteko Adelaide Malavo, encorajou a todos os especialistas de saúde a continuarem a desempenhar a função com zelo e dedicação.
A unidade sanitária do Uíge, que ascendeu à categoria de maternidade, em Setembro de 2015, realiza mais 40 partos por dia e 10 a 12 cesáreas, acções desenvolvidas por um total de 140 funcionários, entre médicos, técnicos de enfermagem, entre outros profissionais.