
Os resultados insatisfatórios da selecção nacional no Campeonato Africano das Nações (CAN’2025) estão a provocar uma onda de contestação entre adeptos angolanos, que exigem a demissão do presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), Fernando Alves Simões, e do seleccionador nacional, Patrice Beaumelle.
Na estreia da competição, Angola perdeu por 2-1 frente à África do Sul. Na segunda jornada, os “Palancas Negras” empataram 1-1 com o Zimbabwe, comprometendo seriamente as hipóteses de qualificação para a fase seguinte da prova.
Os resultados acentuaram o descontentamento popular, sobretudo nas redes sociais e em debates desportivos, onde se multiplicam críticas à gestão federativa e às opções técnicas da selecção.
Muitos adeptos responsabilizam a actual direcção da FAF pelo que consideram ser um declínio acentuado do futebol nacional, apontando falhas na organização interna, na gestão do campeonato Girabola e na condução do projecto desportivo da selecção.
O fraco rendimento colectivo é visto como reflexo de problemas estruturais que vão além do desempenho em campo.
As críticas estendem-se também ao comportamento e à atitude dos jogadores, com sectores da opinião pública a defenderem maior profissionalismo, disciplina e foco competitivo.
Ainda assim, prevalece a ideia de que cabe à liderança federativa e à equipa técnica criar um ambiente propício ao rendimento desportivo e impor padrões claros de exigência.
Apesar de reconhecerem que a responsabilidade é partilhada entre dirigentes, técnicos e atletas, os adeptos sublinham que a selecção dispõe de jogadores com qualidade individual, mas continua incapaz de traduzir esse potencial em resultados concretos, situação considerada frustrante e penalizadora para atletas que demonstram maior compromisso competitivo.
Fernando Alves Simões foi eleito presidente da Federação Angolana de Futebol em Dezembro de 2024, em Luanda, com 128 votos, correspondentes a 51% dos 252 eleitores inscritos, numa disputa renhida que deixou o então presidente cessante, Artur de Almeida e Silva, na segunda posição, com 113 votos.
O dirigente assumiu um mandato de quatro anos (2025–2028), apresentando um percurso ligado à engenharia mecânica e à gestão desportiva, com envolvimento no futebol desde a década de 1970.
Contudo, menos de um ano após o início do seu mandato, a liderança de Fernando Alves Simões enfrenta forte escrutínio público, numa altura em que os resultados desportivos colocam em causa o rumo do futebol angolano.
O desempenho final da selecção no CAN’2025 poderá ser determinante para o futuro da actual direcção da FAF e da equipa técnica nacional.