MEA denuncia abandono de crianças em idade escolar pelo Estado angolano
MEA denuncia abandono de crianças em idade escolar pelo Estado angolano
pobreza

Francisco Teixeira, presidente do Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA), acusou o Estado angolano, representado pelo Ministério da Educação, de abandonar crianças em idade escolar, com a conivência de algumas instituições nacionais e internacionais.

Em entrevista ao programa “Postal da Manhã” da Rádio Despertar, transmitido de segunda a sexta-feira, das 6h às 9h, Teixeira afirmou que o Ministério da Educação não tem cumprido o seu papel de criar políticas e programas eficazes para garantir um dos direitos mais fundamentais das crianças, conforme estabelecido na Constituição da República de Angola.

Teixeira destacou que o prazo de inscrição para o ano lectivo 2024/2025, que se encerra hoje, foi prorrogado devido à pressão do MEA sobre o Ministério da Educação.

Segundo o mesmo, sem essa intervenção, o prazo teria terminado a 2 de Agosto, o que teria aumentado o número de crianças e adultos fora do sistema educativo, principalmente entre os mais pobres.

O presidente do MEA atribuiu a ausência de muitas crianças no sistema de ensino à falta de sensibilidade dos governantes, especialmente do Ministério da Educação.

O activista social também sugeriu que as dificuldades enfrentadas por famílias pobres durante as inscrições nas escolas públicas são intencionais, com o objectivo de aumentar o número de analfabetos para facilitar o controlo político.

“Para o Estado angolano, quanto maior o número de pessoas politicamente analfabetas, melhor para eles. Excluir para melhor governar”, afirmou.

Já o secretário provincial do MEA em Luanda, Jones Sebastião, acrescentou que mais de 8 milhões de crianças ficarão fora do sistema educativo em todo o país.

Em resposta, o MEA continuará a pressionar o Estado angolano, por meio de manifestações ou outros mecanismos legais, para encontrar uma solução para o elevado número de crianças supostamente abandonadas.

“Para o próximo ano lectivo, infelizmente, teremos em todo o país um número alarmante de crianças sem acesso à educação porque o Estado não criou condições adequadas. Em Luanda, por exemplo, muitas escolas estão desactivadas, como a Escola Grande do Cazenga e o Ngola Kanine, o que contribui significativamente para o aumento das crianças fora do sistema educativo. O MEA continuará a pressionar por meio de manifestações ou outros mecanismos legais para resolver esta situação”, afirmou.

Marieth da Costa, cientista social e analista do Imparcial Press, comentou a situação: “Acreditamos que é o momento de o Estado angolano, através do Ministério da Educação, considerar os estudos realizados por organizações e movimentos da sociedade civil, como o MEA. Essas organizações existem para ajudar a identificar e resolver problemas sociais. Ignorar os relatórios apresentados pode prejudicar a imagem do nosso país na arena internacional, à luz da Lei dos Direitos Humanos (LDH)”, apelou.

O Imparcial Press tentou, sem sucesso, obter uma resposta do Ministério da Educação, através do gabinete provincial da Educação em Luanda.

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