Media training não é vaidade, é um investimento em credibilidade e reputação – Olívio dos Santos
Media training não é vaidade, é um investimento em credibilidade e reputação - Olívio dos Santos
Olívio dos Santos

Desde 2019, ano em que passei a ministrar a formação em media training para gestores e porta-vozes, uma das questões frequentes tem sido sobre os benefícios tangíveis dessa formação.

E, sempre que respondo a essa indagação, devolvo com outra pergunta: quanto vale a sua credibilidade? Após a interrogação, segue-se sempre um silêncio sepulcral.

Isso acontece porque muitos ainda desconhecem o valor intangível da credibilidade e da reputação. Outros, porém, já começam a pagar caro por negligenciarem este activo estratégico.

Em pleno século XXI, em que a comunicação é um verdadeiro meio de sobrevivência das instituições, mais do que saber o que falar nos meios de difusão massiva, saber como falar e dominar as linguagens jornalísticas faz toda a diferença e assume-se como um diferencial competitivo.

Assim sendo, o media training surge para garantir que os porta-vozes de organizações públicas, privadas, políticos, assessores de comunicação e toda e qualquer pessoa que necessite lidar directamente com a imprensa, consiga ter um bom desempenho na media sempre que for solicitado.

Qualquer desalinhamento no discurso pode transformar uma oportunidade mediática em algo negativo para a instituição.

Desta feita, o media training deve ser encarado como cultura das instituições a fim de deixar os gestores e porta-vozes preparados, principalmente, em momentos de crises, a fim de se evitar crises acima de crises.

Outro elemento fundamental é a compreensão e o conhecimento da complexidade de cada veículo de comunicação social, como a rádio, o jornal, a televisão e os portais para conter repercussões menos abonatórias.

Um dos focos do media training reside na prevenção e na gestão de crises. Segundo Neves (2002), cerca de 90% das crises podem ser prevenidas, o que ressalta a importância de se estar atento à identificação dos pontos vulneráveis da organização.

O media training sugere ainda a elaboração de uma comissão de gestão de crises, composta por colaboradores capacitados e que conheçam profundamente a empresa.

Para preservação da imagem organizacional, deve-se concentrar no que é possível contornar no âmbito comunicacional e planear estrategicamente, como a mensagem, a forma, o mensageiro, o momento e o contexto.

Quando se conta com uma equipa profissional de assessoria de comunicação, torna-se muito mais fácil lidar com as nuances dos meios de comunicação social.

Isso passa, sobretudo, por não pressionar o jornalista, muito menos solicitar textos, áudios ou vídeos antes da sua publicação, pouco menos ligar em hora de fecho, salvo quando é o jornalista a fazê-lo para solicitar informações adicionais.

Esses cuidados permitem ultrapassar situações sensíveis com maior eficácia e profissionalismo. Essa experiência faz-me recordar o media training que realizámos de forma rápida aquando do abanão do Lote 1 do Prenda, em Abril de 2023.

Apesar da sensibilidade do momento, a situação estava controlada, o que foi determinante, aliado à definição adequada da mensagem e dos porta-vozes.

Na primeira fase, por se tratar de uma questão de carácter social, falou a então administradora adjunta da administração de Luanda para a área social, Alcrésia Cavala. Já na segunda fase, a comunicação ficou a cargo do administrador adjunto para a área técnica, José Bessa.

Uma organização não deve depender apenas dos profissionais de comunicação, mas de todos os seus integrantes, particularmente de seus dirigentes, para se comunicar. Porque o assessor pode até fazer bem o seu trabalho com orientações e treinamentos, mas se os gestores não colocarem em prática, torna-se um desperdício.

Entretanto, os que colocam em prática tornam-se diferenciais, porque os meios de comunicação social são os porta-vozes das organizações, negligenciar o relacionamento com os jornalistas é o mesmo que decretar sua morte.

Os estudos apontam que as empresas que submetem os seus gestores e porta-vozes ao media training facilitam o trabalho dos jornalistas, ao compreenderem os prazos (deadlines), as especificidades das editorias e a necessidade de fornecer informações relevantes, de acordo com o perfil de cada meio.

Essa compreensão, permite que as organizações se tornem fontes confiáveis e que actuem de forma ética e transparente, tornando a comunicação mais rica e de melhor qualidade. Sobretudo, quando as fontes são acessíveis, respondem com celeridade e, acima de tudo, quando estas dominam o assunto em pauta.

Quando o assessorado ganha consciência de que o jornalista tem o facto como seu objecto de trabalho, o assessor pára de fazer “o papel de pedinte”, justificando que, se não for publicada a matéria, pode perder o emprego.

Passa, então, a contribuir para o fortalecimento da relação profissional de mão dupla, pautado pelo respeito e interesse público.

Contudo, o media training não se trata de vaidade, trata-se de proteger a credibilidade, reforçar a reputação e garantir com que a mensagem da instituição seja ouvida com confiança.

*Consultor de Comunicação Integrada

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