Membros do governo de João Lourenço com ligações à UNITA – S. Lutucuta, Dalva Ringote, V. Fernandes, Lotti Nolika e Esteves Hilário
Membros do governo de João Lourenço com ligações à UNITA - S. Lutucuta, Dalva Ringote, V. Fernandes, Lotti Nolika e Esteves Hilário
Jlo e equipa

Apesar de combater a UNITA até à exaustão, análises indicam que, na história do MPLA, o presidente João Manuel Gonçalves Lourenço é o líder com mais conexões a figuras do “Galo Negro”, o que o coloca em um combate de contradições. JL conta também no seu governo com quadros que possuem ligações familiares à UNITA.

Segundo o Club-K, as conexões à UNITA no regime começam pelo próprio João Lourenço, cujo falecido pai, Serqueira Lourenço, foi padrinho do antigo porta-voz do “Galo Negro”, Jorge Alicerces Valentim. João Lourenço é, por sua vez, padrinho da ministra da Saúde, Silvia Paim Valentim Lutucuta, filha de Rebeca Valentim, irmã de Jorge Valentim.

Nascido no Lobito, mas criado na cidade do Cuito, província do Bié, João Lourenço foi colega na adolescência de algumas individualidades que mais tarde aderiram à UNITA. Estudou no Bié com Arlindo Pena “Ben Ben”, ex-comandante militar da UNITA e sobrinho de Savimbi.

Lourenço foi também amigo de infância de Tiago Savipui Samakuva (irmão de Isaías Samakuva), com quem estudou na antiga cidade de Silva Porto. O pai de João Lourenço, juntamente com o reverendo Henrique Samakuva (pai de Tiago e Isaías Samakuva), Sabino Luiele (pai do deputado da UNITA, Maurilio Luiele), e Jonatão Chingunji, trabalharam juntos como enfermeiros no Bié com o médico canadense Walter Strangway, a quem o Presidente angolano deu o nome ao novo hospital provincial do Bié.

Durante a luta de libertação nacional, João Lourenço teve um rumo político diferente dos seus antigos colegas que aderiram à UNITA. Como antigo líder da bancada parlamentar do MPLA, tornou-se muito próximo de Abel Chivukuvuku, que também exercia funções semelhantes na UNITA. A amizade entre os dois mantém-se até os dias de hoje, segundo revelações recentes de Chivukuvuku.

Além das “amizades” de João Lourenço com figuras de proa da UNITA, também foi constatada a promoção de alguns quadros originários de famílias ligadas ao maior partido de oposição, que ascenderam à esfera do poder.

A saber:

DALVA MAURÍCIA CALOMBO RINGOTE ALLEN “Didi” – Nascida no Lobito, ela é prima do general Eugénio Antonino Ngolo “Manuvakola”, ex-secretário geral da UNITA, e negociador dos Acordos de Paz de Lusaka. Depois de terminar o ensino pré-universitário no PUNIV do Lobito, mudou-se para Luanda, vivendo em casa de Manuvakola, no bairro Maculusso (arredores da Igreja Sagrada Família).

Em Setembro de 2022, João Lourenço nomeou “Didi” Ringote como ministra de Estado para a Área Social da Presidência da República.

VICTOR FRANCISCO DOS SANTOS FERNANDES – Foi até recentemente ministro da Indústria e Comércio no governo de João Lourenço. Natural do Huambo e criado em Portugal, Victor Fernandes é sobrinho do falecido e emblemático general da UNITA, Demóstenes Santos Amós Chilingutila.

ESTEVES CARLOS HILÁRIO – Seu falecido pai, Pedro António Hilário, foi deputado à Assembleia Nacional pela UNITA na primeira legislatura. O pai, natural do Bembe, província do Uíge, conheceu Jonas Savimbi durante o GRAE nos Congos, e se reencontraram em 1992, em Angola.

Quando Uíge foi ocupado pela UNITA, após as primeiras eleições em Angola, Esteves Hilário viveu com a família nesta província, sua terra natal, até mais tarde ter se mudado para Luanda.

No governo de João Lourenço, Esteves Hilário foi elevado a membro do Bureau Político do MPLA e deputado à Assembleia Nacional. Ele tem se destacado, nas últimas semanas, com posições negando qualquer conotação com a UNITA, o que desagradou um tio seu, Ernesto Joaquim Mulato, ex-vice-presidente da UNITA.

LOTTI NOLIKA – Pelas mãos de João Lourenço, tornou-se governadora da província do Huambo e foi reconfirmada em Setembro de 2022. Em 1993, quando a UNITA tomou a cidade do Huambo, Lotti Nolika era professora e ex-deputada da Assembleia Provincial que conviveu em certos círculos do “Galo Negro” na província.

Nesse período, conheceu um dirigente da UNITA, identificado como “Leon”, com quem teve um filho, Pedro José Filipe. Este filho da governadora provincial exerce no governo central, a função de Secretário de Estado para o Trabalho e Segurança Social. Apesar de ter sido mantida por um dirigente da UNITA, a governadora Lotti Nolika manteve-se ligada ao MPLA.

As contradições verificadas em João Lourenço, ao combater a UNITA, mas ao mesmo tempo ter no seu governo antigos amigos ou nomear elementos próximos às famílias deste partido, são analisadas sob um outro prisma. Fontes independentes consultadas pelo Club-K alegam que Lourenço dá sinais de que gostaria de ter a sua “própria UNITA”, tal como José Eduardo dos Santos teve no passado com a “Renovada”. Publicamente, manifesta o seu desafecto a Adalberto Costa Júnior, por alegadamente não o controlar.

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido