Menina de 12 anos em estado grave após vacinação contra o cancro do colo do útero em Luanda
Menina de 12 anos em estado grave após vacinação contra o cancro do colo do útero em Luanda
dava bango

Uma menor de 12 anos encontra-se internada desde o final de Outubro no Hospital do Gamek Direita (Pedalé), em Luanda, após ter sofrido uma reacção alérgica grave que surgiu poucas horas depois de receber a vacina contra o cancro do colo do útero, no âmbito da campanha nacional de imunização decorrida de 27 de Outubro a 7 de Novembro.

A denúncia foi feita pela irmã da criança, Eunice Salvador Bango, que acusa a Escola Nova 526, localizada no município de Viana, e a equipa de vacinação destacada pelo Ministério da Saúde, de terem administrado a vacina sem aviso prévio nem consentimento dos encarregados de educação.

“A Dalva foi vacinada na escola sem que ninguém da família fosse informado. No dia seguinte começou a inchar, com o corpo todo inflamado. Levámos ao hospital e disseram que era paludismo, deram um antialérgico, mas nada melhorou”, contou Eunice Bango ao Imparcial Press.

Segundo o relato, o quadro clínico da menor, Dalva Salvador Bango, agravou-se nos dias seguintes, apresentando inchaços recorrentes e dificuldades respiratórias.

Após insistência da família e ameaças de denúncia pública, uma ambulância da equipa de vacinação foi enviada à residência e transportou a criança para o hospital, onde permanece internada sob vigilância médica.

A família afirma que, até o momento, não recebeu nenhum relatório médico, resultado de exames ou explicação formal sobre o estado de saúde da menor. Os médicos limitam-se a afirmar que o caso “está em estudo” e que “não há relação comprovada com a vacina”.

“Não aceitamos essa explicação. A minha irmã era uma menina saudável, nunca teve problemas de saúde. O problema começou no dia seguinte à vacinação. Queremos apenas saber a verdade e que ela seja tratada com dignidade”, desabafa Eunice.

De acordo com o documento enviado ao Ministério da Saúde, Ministério da Educação e Governo Provincial de Luanda, a família denuncia falta de transparência, negligência institucional e violação do direito de consentimento informado, exigindo uma investigação urgente e o acompanhamento médico especializado para a criança.

O caso, que começou a circular nas redes sociais esta semana, já gera indignação entre pais e encarregados de educação, que pedem ao Ministério da Saúde melhor comunicação e protocolos claros de consentimento nas campanhas de vacinação escolar.

Contactado pelo Imparcial Press, o Ministério da Saúde não respondeu as questões enviadas até a publicação deste texto.

Fontes médicas do hospital confirmaram a existência de uma paciente internada com sintomas alérgicos “de natureza ainda não determinada”, mas evitaram estabelecer ligação com a vacina.

A campanha nacional de vacinação contra o cancro do colo do útero, dirigida a meninas dos 9 aos 14 anos, visa prevenir o Vírus do Papiloma Humano (HPV), principal causa da doença.

No entanto, casos isolados de reacções adversas têm sido reportados em algumas províncias, levantando debates sobre a transparência e segurança dos procedimentos de vacinação escolar.

Enquanto se aguarda uma explicação oficial, a família Bango mantém-se à porta do hospital, entre a angústia e a esperança, pedindo apenas uma resposta: “Queremos saber o que fizeram à nossa menina e que ninguém mais passe por isso.”

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido