Milca Caquesse “avacalha” governador de Luanda
Milca Caquesse "avacalha" governador de Luanda
luis e milca

Desde o início do ano em curso, Angola passou a contar com 21 províncias, 326 municípios e 378 comunas, resultado da Nova Divisão Administrativa implementada pelo Executivo de João Lourenço.

A medida, concebida para melhorar a gestão territorial, tem encontrado resistência em alguns círculos, particularmente entre quadros do MPLA que ocupam cargos administrativos e viram drasticamente os seus poderes reduzidos.

O caso mais emblemático dessa resistência é o de Milca Cuessue Caquesse, antiga administradora do extinto “super-município” de Luanda e actualmente designada para liderar o município da Ingombota.

O super-município, que anteriormente englobava sete distritos urbanos — Sambizanga, Rangel, Maianga, Ingombota, Samba, Neves Bendinha e Ngola Kiluanje — foi desmembrado pela nova configuração administrativa, reduzindo significativamente o alcance político e administrativo de Milca Caquesse.

Desde que foi exonerada e nomeada administradora da Ingombota, Milca tem protagonizado um impasse inusitado. Recusou-se a abandonar as instalações da antiga administração municipal de Luanda, desafiando directamente o governador provincial de Luanda, Luís Nunes.

Enquanto isso, a sede original da Ingombota foi transformada na Direcção Municipal de Educação, deixando os funcionários da administração sem um local fixo para trabalhar.

“Alguns dias funcionários ficaram alguns dias sem lugar de trabalho definido, uma vez que o espaço onde alberga antiga administração municipal de Luanda esta abarrotado até as estruturas e sem espaço para albergar outras direcções”, revelou ao Imparcial Press uma fonte que acompanha o caso.

A nossa fonte alega que Milca Caquesse recorreu às suas influências no Bureau Político e no Comité Central do MPLA para garantir a sua permanência na antiga sede.

“Ela prefere permanecer nas instalações da antiga administração municipal de Luanda, onde dispõe de recursos e condições mais favoráveis”, acrescentou.

A dificuldade do governador Luís Nunes em gerir a situação evidencia os limites do poder hierárquico dentro do aparelho governamental angolano, frequentemente vulnerável à força das alianças políticas.

Nesta segunda-feira, 13 de Janeiro, Milca foi formalmente apresentada como administradora municipal da Ingombota, mas em um gesto que reforça o clima de disputa, a cerimónia ocorreu nas instalações da antiga administração de Luanda, que agora vai albergar administração municipal da Ingombota.

A Nova Divisão Administrativa, que deveria representar um avanço na gestão territorial, começa a ser marcada por episódios que ilustram a fragilidade institucional e o predomínio de jogos de poder. Como diz o velho adágio: “Quem manda, manda; quem não manda, obedece.”

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