
O jurista e pré-candidato à presidência do MPLA, José Carlos de Almeida, fez duras críticas à eventual permanência de João Lourenço na liderança do partido após o fim do seu mandato presidencial, considerando que tal cenário representaria um erro político com consequências directas nos resultados eleitorais da formação no poder.
José Carlos de Almeida sustenta que a liderança política é, por natureza, temporária e limitada, seja por força da lei ou pela própria dinâmica da história.
Para o jurista, o fim do ciclo presidencial em 2027 deve igualmente marcar o encerramento da liderança partidária, sob pena de o MPLA enfrentar um acentuado desgaste interno e eleitoral, incluindo a perda de deputados.
O pré-candidato argumenta que insistir na presidência do partido poderá alienar militantes, simpatizantes e eleitores, gerando um clima de saturação e rejeição política.
“O poder tem limites e a vida continua”, sublinha, defendendo que a saída atempada permitiria ao actual Chefe de Estado preservar a sua imagem política e evitar críticas acrescidas aos erros do seu consulado.
José Carlos de Almeida alerta ainda para o risco de João Lourenço se tornar uma “sombra” do próximo Presidente da República oriundo do MPLA, cenário que, segundo afirma, conduziria inevitavelmente a situações de desconsideração, humilhação política ou simples irrelevância institucional.
Na sua leitura, a Constituição da República e os estatutos do partido foram concebidos para um modelo de comando único, incompatível com a coexistência prolongada de dois centros de poder no mesmo espaço político.
O político sugere que o actual Presidente da República deveria concentrar-se numa transição digna para a vida pós-presidencial, dedicando-se à família, à escrita das suas memórias e à partilha da sua experiência enquanto líder de Angola, da SADC e da União Africana, bem como em eventuais funções de liderança internacional ligadas ao continente africano.
As declarações de José Carlos de Almeida reacendem o debate interno sobre sucessão, limites do poder e democracia partidária no MPLA, num contexto em que cresce a pressão para uma renovação efectiva da liderança e do modelo de governação, à medida que o país se aproxima do fim do actual ciclo político.