
Os militantes da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) realizaram, na quinta-feira, 23 de Outubro, em Luanda, uma conferência de imprensa destinada a pressionar o presidente do partido, Nimi a Simbi, a retomar urgentemente a reunião do Bureau Político (BP), suspensa desde 26 de Setembro do ano em curso.
Segundo a porta-voz do grupo, Suzana Paulo dos Santos Massukila, a paralisação dos órgãos centrais ameaça mergulhar o partido numa crise ainda mais profunda.
“Nós, militantes da história da FNLA, estamos preocupados e afastados com a estagnação do partido e a não continuidade da reunião do BP, na qual deverá sair a data e a agenda do Comité Central (CC), órgão competente para aprovar relatórios e definir o rumo político da organização”, afirmou.
Suzana Massukila acusou o líder do partido de agir deliberadamente para “ganhar tempo e evitar a sua destituição pelo Comité Central”, desrespeitando os estatutos do partido quanto à periodicidade das reuniões e ao funcionamento regular das estruturas.
Os militantes afirmam que a soberania no seio da FNLA pertence aos militantes, e avisam que, caso o BP e o CC não se realizem até 20 de Novembro de 2025, avançarão com um abaixo-assinado para destituir o líder.
“A nossa indignação atingiu o ponto máximo. Em quatro anos, a direcção não conseguiu realizar sequer um acto político de massas em Luanda, a principal praça eleitoral do país”, lamentou.
Segundo os militantes, a falta de actividade política e a exclusão de membros críticos têm alimentado tensões entre as bases e as direcções provinciais.
Enquanto aguardam resposta, prometem manter serenidade “perante provocações, insultos e outros actos pouco abonatórios”.
Durante a conferência, o militante Tristão Ernesto abordou a polémica dívida de 20 milhões de kwanzas relacionada com o IV Congresso Ordinário da FNLA, em 2015.
“Na altura, eu era coordenador interino da comissão preparatória. A dívida inicial era de 12 milhões de kwanzas, referentes à pensão Sanza Pombo. O partido recebeu, em 2018, 160 milhões de kwanzas, mas essa verba não foi usada para saldar o débito. Passados dez anos, a dívida subiu para 20 milhões”, explicou.
Tristão Ernesto criticou a gestão dos fundos e acusou a direcção de não prestar contas nem resolver questões financeiras antigas.
Os militantes também questionaram as recentes suspensões de dirigentes eleitos, nomeadamente o caso do secretário provincial do Uíge, Almeida Vungo, afastado pelos próprios militantes, e o de Ngola Kabangu, histórico da FNLA.
“O presidente não tem competência para suspender membros eleitos no congresso. Nos termos dos estatutos, tanto o presidente como os membros do Comité Central são eleitos pelo congresso e têm a mesma fonte de poder”, frisou Tristão Ernesto.
Os oradores alertaram que o CC tem autoridade para destituir o presidente, e que a actual direcção está a actuar “fora da legalidade estatutária”, o que tem levado o partido a um estado de paralisia política e descrédito público.
“Nós não estamos pelo Ngola, nem pelo Nimi. Estamos por nós mesmos, enquanto militantes. A FNLA precisa de ser respeitada e devolvida aos seus verdadeiros donos: os militantes”, concluíram.
No final, os militantes agradeceram o gesto do Presidente da República, João Lourenço, por reconhecer oficialmente os feitos de Holden Roberto, fundador e líder histórico da FNLA, “como um dos signatários do Acordo de Alvor e Pai da Independência Nacional”.
“Nós não estamos contra o irmão Nimi a Simbi, mas contra os seus actos”, sublinhou Suzana Massukila, encerrando a conferência.
A FNLA atravessa uma nova fase de contestação interna, com militantes a exigirem respeito pelos estatutos e maior transparência na gestão do partido.
O prazo dado a Nimi a Nsimbi para convocar as reuniões do BP e do CC termina em 20 de Novembro de 2025, data que poderá marcar o início de um processo formal de destituição da liderança.
Por: Ngola Ntuady Kimbanda Nvita