Governo entrega “obra milionária” a sobrinha da Primeira-Dama
Governo entrega "obra milionária" a sobrinha da Primeira-Dama
Carmon

Na primeira semana do mês em curso, o Ministério das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação anunciou a reabilitação dos 53 quilómetros do troço Catete/Maria Teresa, Estrada Nacional (EN) 230, na província de Luanda, após a assinatura do acto de consignação entre o governo e a empreiteira Carmon Reestrutura e Serviços Técnicos Especiais (SU), Lda..

Conforme os dados amplamente divulgados, a empreitada, que terá a duração de 18 meses, está avaliada ao preço de 27.780.522.252 de kwanzas. A grande questão que se coloca é que a obra foi entregue – de forma desonesta e sem a realização do concurso público – a uma empresa [Carmon Reestrutura e Serviços Técnicos Especiais (SU), Lda.] ligada à família presidencial.

O Imparcial Press sabe que a empresa de construção civil e obras públicas “Carmon Reestrutura – Engenharia e Serviços Técnicos Especiais (SU) Limitada” pertence a uma das sobrinhas da Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço, de nome Mayra Isungi Campos Costa.

Mayra Isungi Campos Costa [dos Santos] foi antiga esposa de José Filomeno dos Santos (Zenú), filho do malogrado ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos.

Paralelamente, a Carmon Reestrutura é controlada pela firma “SST Participações SA”, uma outra empresa de Mayra Campos Costa, que, há anos, tem sido usada como uma longa tubagem para desvios, delapidação e exportação de milhões de dólares norte-americanos do erário de Angola e o enriquecimento ilícito da família Lourenço, protegendo um grupo de sócios “fantasmas” envolvidos em esquemas montados na estrutura governamental.

Por detrás dessa empresa, está escondido um esquema de tráfico de influência, branqueamento internacional de capitais, corrupção, associação criminosa e operações danosas à economia do país, em 16 anos, gerindo um volume de negócios equivalente a dois biliões de dólares norte-americanos, sendo grande parte dos quais financiada pela Linha de Crédito da China.

Contra a expectativa de milhões de angolanos, os esquemas continuam a driblar o programa do Executivo de combate à corrupção e da recuperação de capitais. Uma luta (quase perdida) liderada pelo Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço.

De salientar que, uma das bandeiras do Presidente da República e o seu partido MPLA foi o combate a corrupção, a impunidade, ao nepotismo, ao tráfico de influências, bem como as ordens superiores, vícios que eles próprios criaram, alimentaram, desenvolveram e sofisticaram ao ponto de os transformar num corpo mafioso, cujas consequências levaram o país aos níveis catastróficos sem retorno.

Ademais, o Presidente da República garantiu que iria pôr fim aos monopólios económicos que existiam. A retórica sobre o combate cerrado a corrupção, foi simplesmente um apanágio para ludibriar e manipular a opinião pública nacional e internacional, porquanto, seria impossível que um sistema corrupto, fosse capaz de combater o fenómeno por si criado, pois, o próprio regime vive e sobrevive através da corrupção.

O suposto combate à corrupção visou apenas o branqueamento da imagem do próprio MPLA e um punhado de beneficiários do sistema; porquanto, esse comportamento foi-se consolidando e confirmou-se ao longo do seu mandato, isto é, não se fez combate nenhum à corrupção.

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