
Angola enfrenta um défice alarmante de 2.573 escolas com 12 salas de aula cada, revelou na última sexta-feira, 9, a ministra da Educação, Luísa Grilo, durante a abertura da 12.ª Conferência sobre Ensino e Aprendizagem, no Lubango, província da Huíla.
O número expõe a dura realidade de milhares de crianças ainda fora do sistema ou a estudar em condições precárias.
Segundo a governante, as 12.547 escolas actualmente em funcionamento são insuficientes para atender à crescente procura por educação básica e geral, apesar de terem sido inauguradas 80 novas escolas com 729 salas de aula no presente ano lectivo.
“Não são dados de um levantamento exaustivo, mas já mostram a dimensão do desafio. Precisamos de muitas escolas para garantir dignidade e qualidade no ensino”, admitiu Luísa Grilo, alertando para o abismo entre a infraestrutura existente e a demanda real.
O cenário é igualmente preocupante no que toca aos recursos humanos. A ministra reconheceu um défice superior a 60 mil professores, sublinhando que o número será revisto nos próximos meses para actualizar o rácio aluno-docente, que continua elevado em várias regiões do país.
Ser professor em Angola é, segundo Luísa Grilo, uma “tarefa hercúlea”. “É um profissional que precisa se reinventar todos os dias para garantir a aprendizagem dos seus alunos. Infelizmente, nem sempre encontra apoio, nem da sociedade, nem das famílias”, lamentou.
E reforçou: “É pena que não valorizemos o professor como a profissão das profissões, porque ninguém se forma sem ele”.
Apesar das dificuldades, o sector registou alguns avanços. No ano lectivo 2023/2024, Angola contou com 204.703 professores, dos quais 8.653 foram recém-contratados, a maioria jovens.
Para o presente ano lectivo (2024-2025), mais de 9,2 milhões de alunos foram matriculados no ensino geral em todo o território nacional.
O encontro que decorreu sob o lema “Valorizando as vozes dos Professores – rumo a uma Formação e Profissionalismo Rejuvenescidos dos Professores em África”, juntou especialistas e decisores do continente africano com o objectivo de redesenhar estratégias para um ensino mais inclusivo e eficaz.