
A ministra das Finanças, Vera Esperança dos Santos Daves de Sousa, afirma ter sido a responsável pela denúncia que resultou na detenção e exoneração de altos funcionários da Administração Geral Tributária (AGT), envolvidos num esquema de fraude fiscal.
Segundo informações apuradas, durante uma reunião com o Presidente da República, João Lourenço, a ministra apresentou a sua versão dos factos, recebendo um voto de confiança do Chefe de Estado.
Na ocasião, Vera Daves assegurou que foi ela quem accionou o Serviço de Investigação Criminal (SIC), dando início ao processo que levou à responsabilização criminal dos envolvidos.
O SIC ficou encarregado de conduzir a operação e anunciar publicamente a descoberta da fraude, embora fontes apontem que a iniciativa partiu directamente da titular das Finanças.
A investigação revelou um desvio superior a 7 biliões de kwanzas, resultante de reembolsos fraudulentos do IVA. Como consequência, foram detidos nove altos funcionários da AGT, entre os quais:
Tiago André Gonçalves Cordeiro dos Santos – administrador responsável pelas Direcções do IVA, Planeamento Estratégico e Tecnologias de Informação;
João Narciso Love – director dos Serviços do IVA;
Ludgero Elmer da Silva – director de Cadastro e Arrecadação de Receitas.
Os três são apontados como mentores do esquema, que estaria activo há mais de três anos. Além deles, um empresário e consultor da China Huashi Group (H&S), Erivaldo Teixeira Pereira da Gama, também foi detido por suspeita de envolvimento na fraude.
Em resposta às detenções, a ministra das Finanças exonerou os referidos funcionários da AGT, numa medida que visa reforçar a transparência e restaurar a confiança na instituição.
As investigações continuam em curso para identificar outros possíveis envolvidos e determinar a real dimensão da fraude.