Ministro do Interior ou militante em missão partidária? – Henda Ya Xiyetu
Ministro do Interior ou militante em missão partidária? – Henda Ya Xiyetu
MHomem

Ah, o ministro do Interior, Manuel Homem, não perde uma oportunidade para mostrar sua devoção absoluta ao MPLA. Este sábado, lá estava ele, em mais uma passeata comemorativa do sexagésimo oitavo aniversário do glorioso MPLA.

Não só foi, como ainda fez questão de registar com aquele sorriso de “estou a fazer história” e o post no Facebook para comprovar: “Juntámo-nos à marcha em saudação ao 68.º aniversário do nosso glorioso MPLA.”

Claro, porque, como todos sabemos, a imparcialidade no cargo de ministro do Interior se mede pela frequência nas marchas partidárias, certo? E, já agora, o que seria do MPLA sem o sorriso do ministro, não é?

Agora, é aqui que o circo começa. O ministro do Interior está claramente mais confuso que um chihuahua em dia de consulta ao veterinário. O homem não sabe mais onde termina o militante e onde começa o ministro.

Como se não fosse o suficiente ele ainda ser ministro, também mantém firme seu compromisso partidário, e a mistura dos dois papéis parece mais um ingrediente para a receita do caos do que um modelo de gestão eficiente.

Ele tem a chave para resolver os problemas de segurança do país, mas parece que está mais interessado em garantir a segurança das fileiras do MPLA.

E aí, meus amigos, surge o grande dilema: quando o ministro do Interior se confunde com o militante, o que acontece?

A oposição, claro, começa a sonhar com as melhores acusações. A polícia a caçar manifestantes e zungueiras a mando do partido?

Sim, por favor, quem precisa de imparcialidade quando se tem tantas bandeiras para levantar?

Mas o mais interessante neste episódio não é apenas a confusão de papéis, é o esforço desesperado de Manuel Homem em tentar ser o “homem do povo”.

Ele se empenha com tanto afinco em suas exposições públicas que mais parece um atleta tentando correr uma maratona sem sequer saber por onde começar.

O esforço é visível, mas as trapalhadas também. Cada passo que ele dá em sua tentativa de ser sério e profissional, acaba se atropelando com uma exposição que só serve para tornar sua posição ainda mais desconfortável.

Ele quer, de alguma forma, ser o homem que representa a imparcialidade e a segurança, mas na prática, ele está mais perdido que turista sem mapa. O esforço, no fim, só revela o quanto a trapalhada é grande.

Essa confusão, no entanto, não é novidade. O ministro do Interior está apenas a seguir o exemplo do grande chefe, o Presidente da República. Afinal, quem pode dizer que o Presidente não confunde o cargo com a presidência do partido?

O homem tem o casaco de chefe de Estado, mas fala com a boca do líder partidário. E o pior: parece que está convencido de que pode usar ambos os chapéus ao mesmo tempo, como se fosse o próprio mestre da versatilidade política.

Claro, ninguém mais é capaz de misturar de forma tão magistral o público e o privado, a Constituição e a ideologia, a República e o partido. Mas, cá entre nós, é uma habilidade que é melhor ignorar do que tentar entender.

Com este tipo de comportamento, o que poderia dar errado?

O problema é que quando os ministros e presidentes não sabem qual lugar devem ocupar, começa a confusão. Se não sabem distinguir onde acaba o governo e onde começa o MPLA, a coisa fica feia.

Porque, convenhamos, temos aqui dois mestres da ambiguidade: o Presidente da República e o ministro do Interior. É como se eles estivessem usando o mesmo casaco, mas falassem com a boca errada.

Mas, ah, isso é a nossa “democracia” africana em pleno funcionamento, uma democracia onde tudo se mistura como se fosse feijoada.

Portanto, Manuel Homem, fica o recado: se ainda não entendeu a diferença entre ser um militante e um ministro, é bom começar a aprender. O país não precisa de mais uma mistura de partidos e responsabilidades públicas.

Precisamos de um ministro que se atente aos problemas reais da segurança e da ordem pública, e não um militante preocupado em salvar as aparências do seu partido. Se você continuar nesse ritmo, meu amigo, a única coisa que vai ser salva é o partido, e a República ficará na estante.

Cuidado, Homem. Muito cuidado mesmo. E, se possível, arrume logo esse casaco de ministro, porque ele está a confundir as coisas todas.

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