Moçambique: Interpol e DEA pedem a cabeça do “barão da droga” Imran Anwer “Ferrox”
Moçambique: Interpol e DEA pedem a cabeça do "barão da droga" Imran Anwer "Ferrox"
Ferrox

A Procuradoria-Geral da República (PGR) de Moçambique, frequentemente criticada por ser complacente com o crime organizado, está a ser pressionada pela Interpol e pela Drug Enforcement Agency (DEA) dos Estados Unidos para intensificar as acções contra o alegado “barão da droga” Imran Mohamed Anwer, mais conhecido por “Ferrox”, activo na cidade da Beira.

Segundo África Monitor, Imran Mohamed Anwer “Ferrox”, proprietário de várias empresas, é suspeito de ser o principal traficante de cocaína e heroína na região, operando em conluio com outros empresários e empresas como Gold Way Serviços, XR Segurança e Trucking Business.

Em Fevereiro, o Serviço de Investigação Criminal (SERNIC) apreendeu 172 kg de heroína numa residência no bairro da Ponta-Gea, na Beira, após rastrear chamadas telefônicas que coordenavam o transporte de drogas para a África do Sul.

Ferrox é supostamente apoiado por despachantes aduaneiros locais e parte dos lucros do tráfico, segundo fontes locais, são canalizados para estruturas de partidos políticos locais, como a FRELIMO, da qual Ferrox é membro, e o MDM, predominante na Beira, supostamente em troca de isenções fiscais municipais para seus múltiplos imóveis.

Além das actividades de narcotráfico, Ferrox é também suspeito de estar envolvido em sequestros seguidos de resgate na cidade, contando com o apoio de uma fração da comunidade paquistanesa envolvida no tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Ferrox e seu tio Suleiman Anwer possuem várias propriedades no Paquistão.

Em 2023, membros da família Yacub, como Osman Yacub, Minoj Yacub (ex-membro do Conselho Municipal de Pemba pela FRELIMO), Sadique Yacub (ex-presidente do Conselho Municipal de Pemba) e Zicar Osman Yacub, foram investigados por tráfico e produção de cocaína em Metoro, distrito de Ancuabe, resultando no desmantelamento de uma unidade de produção de drogas.

O tráfico de drogas em Moçambique não só aumenta devido ao consumo interno crescente, mas também porque o país se tornou uma plataforma de tráfico continental de haxixe, heroína, cocaína e metanfetaminas, com destinos principalmente na África do Sul e Europa.

A prisão de Gilberto Aparecido dos Santos “Fuminho” em Maputo há cerca de quatro anos, ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) do Brasil, destacou a penetração das principais organizações de tráfico global no país.

A principal rota de entrada de drogas em Moçambique está ligada à máfia paquistanesa, especializada no tráfico de haxixe e heroína com origem no Afeganistão, transportadas por mar em contêineres para os portos de Mombaça, no Quênia, e Zanzibar, na Tanzânia.

De lá, a droga segue principalmente para os portos de Pemba, Mocimboa da Praia e Palma, em Cabo Delgado, e em menor escala para Angoche, Mossuril, Ilha de Moçambique, Moma, Nacala, Macuse, Quelimane e Beira.

Além dos portos, alguns aeroportos, como o de Maputo (usado para o tráfico de cocaína da América do Sul), são pontos de entrada de drogas, muitas vezes com a cumplicidade de funcionários aeroportuários. Estima-se a existência de 134 portos ilegais e 58 pistas de pouso não registradas no país, utilizadas para contrabando, incluindo narcotráfico.

Parte da droga é distribuída em doses individuais para consumo interno, enquanto outra parte é transportada por terra para a África do Sul. Locais como a Comunidade Mahometana em Maputo são mencionados como pontos de descarga de drogas, frequentemente camufladas em outros tipos de cargas.

Em Maio, um novo caso envolvendo Norolamin Gulam, residente habitualmente em Portugal, abalou o mundo do narcotráfico com sua detenção em Nova Iorque, numa operação conjunta do FBI e DEA, com apoio da Polícia Judiciária portuguesa, acusado de tráfico internacional de drogas.

A família Norolamin Gulam, influente na região de Nacala, província de Nampula, através do Grupo Maiaia, está envolvida na produção de trigo, alimentos e plásticos.

Apesar das dificuldades financeiras do grupo, considerado tecnicamente falido com dívidas crescentes, os membros mantêm um alto padrão de vida, com suspeitas de ligações a Portugal para lavagem de dinheiro ilícito.

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