
Os resultados das eleições gerais de 9 de Outubro, anunciados ontem, segunda-feira, pelo Conselho Constitucional estão a gerar diversos discursos controversos no seio da oposição moçambicana.
Enquanto a Frelimo comemora a vitória do seu candidato, Daniel Chapo, os partidos da oposição Renamo, o MDM e outros movimentos, recusam-se a aceitar os resultados proclamados pelo Conselho Constitucional (CC), alegando fraude eleitoral e irregularidades no processo.
Durante uma declaração oficial, a mandatária da Frelimo, Verónica Macamo, afirmou que Daniel Chapo trabalhará arduamente para honrar o voto dos moçambicanos e promover o desenvolvimento do país. “A partir de agora, devemos nos dar as mãos e trabalhar para o bem de Moçambique”, disse.
Sobre as acusações de fraude e a rejeição dos resultados por parte da oposição, Macamo minimizou os protestos, destacando a necessidade de respeitar a legislação eleitoral. “É importante olharmos para a lei e seguirmos rigorosamente o que aprovamos”, enfatizou.
Ricardo Carvalho, mandatário da Renamo, reafirmou que o partido não reconhece os resultados anunciados, classificando-os como ilegítimos e não representativos da vontade popular.
“Apelamos ao povo moçambicano para que se junte à Renamo e lute por uma democracia genuína”, declarou.
Carvalho também criticou a actuação do Conselho Constitucional e da Comissão Nacional de Eleições (CNE), acusando-os de conivência com as irregularidades.
Silvia Cheia, mandatária do MDM, também rejeitou os resultados e criticou a falta de transparência no processo eleitoral. “Se o processo fosse justo, transparente e limpo, teríamos resultados diferentes”, afirmou. Esta, acusou a CNE de colaborar com a Frelimo para falsificar actas e inflar votos a favor do partido no poder.
A mandatária do candidato presidencial Venâncio Mondlane, expressou profunda frustração com a proclamação dos resultados. “Embora os sinais já estivessem lá, ainda podíamos cogitar no bom senso do Conselho Constitucional e na primazia da vontade popular. Mas isso não aconteceu”, disse.
Acusou o órgão de legalizar uma vitória fraudulenta, mesmo reconhecendo irregularidades, que foram justificadas como não tendo influenciado significativamente o resultado.
Sobre os próximos passos, a mandatária afirmou que a decisão caberá a Mondlane, que deverá se pronunciar oportunamente. “O povo moçambicano também terá algo a dizer. Este era para ser um dia de festa, mas acabou em frustração”, acrescentou.
A mandatária ainda destacou que o recurso interposto pelo Partido Podemos, detalhando os fundamentos para a anulação da deliberação da CNE, foi ignorado, evidenciando a falta de resposta às denúncias de fraude.
Enquanto Venâncio Mondlane não se pronuncia oficialmente, a oposição dá sinais de que poderá organizar manifestações e acções populares em resposta aos resultados.
Segundo a mandatária, Mondlane deverá comunicar-se com os eleitores por meio de uma live, mantendo o estilo característico de diálogo directo com a população.
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