
A situação crítica na zona 15 do bairro São Pedro da Barra, no Distrito Urbano do Ngola Kiluanji, município de Luanda, atingiu um ponto de ruptura.
Desde 2016, os moradores são forçados a conviver com a ausência de abastecimento de água potável, um problema gravíssimo que tem sido reiteradamente ignorado pelas autoridades, alimentando uma crescente frustração e revolta entre a população local.
Para sobreviver, os residentes têm de percorrer longas distâncias para comprar água, pagando 300 kwanzas por uma banheira, a um custo que muitos já consideram insustentável.
“Entram e saem administradores, mas a nossa realidade continua na mesma. Acreditámos que a chegada do Presidente João Lourenço ao poder traria uma solução, mas continuamos sem ver água nas nossas torneiras”, desabafa ao Imparcial Press um morador, evidenciando a desilusão generalizada.
A par da crise hídrica, o bairro enfrenta uma situação de colapso dos serviços de saúde. O único Centro de Saúde de São Pedro da Barra está inoperacional há anos, sem sinais de reabilitação à vista.
“Estamos completamente abandonados. Além da falta de água, não temos acesso aos cuidados médicos básicos. Parece que fomos esquecidos por completo”, critica uma residente, denunciando o que muitos consideram uma negligência crónica das autoridades.
A administradora distrital do Ngola Kiluanji, Vânia Ferreira António dos Santos, tem sido alvo de críticas contundentes. Moradores acusam-na de ter paralisado o distrito, que dizem estar à “beira da extinção”.
Segundo eles, a administradora raramente interage com as comunidades e, nas poucas vezes que o faz, evita abordar os problemas mais urgentes, como a escassez de água, as deploráveis condições das estradas, a falta de recolha de lixo e a necessidade de realojar famílias que vivem em zonas de risco.
“Ela simplesmente ignora as nossas necessidades”, afirmam.
A insatisfação crescente levou os moradores a considerar a elaboração de um abaixo-assinado para exigir a exoneração da administradora, nomeada no ano transacto, caso não sejam tomadas medidas imediatas.
“Estamos cansados da falta de comunicação e de soluções concretas. Se a administração não pode resolver os nossos problemas, então é hora de mudar a liderança”, afirmou um líder comunitário ao Imparcial Press, sublinhando a tensão latente na comunidade.
A recente aprovação da nova divisão político-administrativa, que deveria elevar o Distrito Urbano do Ngola Kiluanji à categoria de município, trouxe alguma esperança.
No entanto, os moradores alertam que, sem a resolução dos problemas básicos, essa mudança será pouco mais do que simbólica, uma mera formalidade que não trará melhorias reais às suas vidas.
A crise de água, que já se arrasta há quase uma década, obriga as famílias a gastarem cerca de 10 mil kwanzas por semana para comprar água nos tanques. Além do custo elevado, há o risco iminente de surtos de doenças diarreicas, devido à má conservação da água.
Face a este cenário, os moradores apelam, uma vez mais, ao Governo Provincial de Luanda e à administração distrital para que assumam a sua responsabilidade e tomem medidas eficazes e urgentes. A continuar assim, alertam, a situação poderá degenerar em algo ainda mais grave, com consequências imprevisíveis para a vida de milhares de pessoas no Ngola Kiluanji.