
O antigo futebolista do Ferroviário da Huíla e do Petro de Luanda, José Carlos dos Santos Avelino, mais conhecido por Carlos Jaburú, foi a enterrar esta terça-feira no Cemitério do Alto da Mitcha, no Lubango. O ex-atleta faleceu no domingo último, aos 56 anos, vítima de doença.
Embora tenha brilhado nos relvados, a fase final da vida de Carlos Jaburú foi marcada por dificuldades. Em Setembro do ano passado, o Imparcial Press noticiou (vide aqui: Ex-jogador do Petro de Luanda internado com sinais de demência no hospital psiquiátrico) que o ex-jogador havia sido encontrado em situação de abandono nas ruas do Lubango, apresentando claros sinais de demência.
Internado no Hospital Psiquiátrico de Lubango com o apoio da Federação Angolana de Futebol (FAF), Jaburú já enfrentava problemas psicológicos há mais de uma década, tendo passado por diversos centros de reabilitação nas províncias da Huíla e do Namibe.
Fontes familiares indicaram que factores socioeconómicos terão contribuído para o agravamento do seu estado de saúde mental, aliado a uma longa batalha contra a dependência alcoólica, que acelerou a sua degradação física e psicológica.
Nascido a 26 de Fevereiro de 1968, no município de Chibia, a 42 km a sul do Lubango, Carlos Jaburú fez parte da geração dourada do Ferroviário da Huíla na década de 1980, partilhando o campo com nomes como Mavó (falecido em 2004), Armindo, Victor Jaburú, Manú, Salvador, Manico, Raimundo, Barbosa I, Dinho, Carlitos, Nascimento, Minguito, Barbosa II, Jonas, Tucha Antas, Ndisso I e Ndisso II, sob o comando técnico de David Sousa, Rui Rodrigues e Rúben Garcia.
Durante esse período, o Ferroviário da Huíla consolidou-se como uma das equipas mais competitivas do futebol angolano, conquistando a Taça de Angola em 1985 e 1989, batendo o Interclube nas finais por 2-1 e 2-0, respetivamente. Em 1988, sagrou-se vice-campeão nacional.
Nos anos 90, o malogrado jogou no Desportivo da EKA do Dondo. Passou por clubes como o Petro do Huambo e o Sagrada Esperança da Lunda-Norte, além de representar a selecção nacional angolana em várias competições. Encerrou a sua carreira no Desportivo da Huíla, em 2007.
O presidente da Associação Provincial de Futebol da Huíla, Rafael Rocha, lamentou a morte de Jaburú, descrevendo-a como “um duro golpe que atinge os momentos áureos do futebol huilano”.
Rocha destacou ainda as qualidades do ex-jogador, apelidado de “pé canhoto” ou “Mara”, que marcou a história do clube e do futebol da região.
A trajectória de Carlos Jaburú reflete não apenas a glória e os desafios do futebol angolano, mas também a necessidade de maior atenção ao bem-estar dos ex-atletas, muitos dos quais enfrentam dificuldades após o fim da carreira desportiva.
O desporto angolano despede-se de um dos seus talentos, cujo legado permanecerá na memória dos adeptos e colegas que com ele partilharam os relvados.