
Morreu na madrugada desta sexta-feira, 29, na clínica Net Care Alberton, em Joanesburgo, República da África do Sul, aos 87 anos, o diplomata Hermínio Joaquim Escórcio, vítima de doença.
O diplomata nasceu a 1 de Junho de 1936, no município de Lobito, província de Benguela. Era progenitor de dois filhos.
Aderiu ao MPLA na clandestinidade em 1958. Foi preso político, julgado e condenado por um tribunal especial militar por imposição da Polícia Política Portuguesa (PIDE) de 1963 a 1974.
No princípio da década de 70, quando o país ainda não era independente, a partir do exílio onde se encontrava o MPLA, numa manobra envolvente, que já visava a exploração das riquezas angolanas, perpetrada pela União Soviética.
Para tal, a União Soviética tinha um elemento seu, membro da KGB, o diplomata Hermínio Joaquim Escórcio, que era o elo de ligação entre o regime angolano liderado por José Eduardo dos Santos, o grupo Dar-Al Handasah (Shair and Partners) e a União Soviética.
Fez parte da delegação do MPLA que negociou as tréguas com os portugueses nas chanas de Liamege (Moxico). Coordenou a comissão de recepção da primeira delegação MPLA dirigida por Lucio Lara.
Foi secretário pessoal do malogrado primeiro Presidente António Agostinho Neto, e director do Protocolo e Património da Presidência da República. Anos depois, foi nomeado director geral da Sonangol.
Foi igualmente embaixador de Angola em vários países, tendo cumpridos a última missão na Argentina. Até a sua morte, era presidente da Assembleia Geral do Banco Económico, e presidente honorário do Atlético Petro de Luanda.
Bureau Político do MPLA
Numa mensagem de condolências, o Bureau Político do MPLA enaltece a “figura incontornável de Hermínio Escórcio” enquanto nacionalista angolano, histórico militante e dirigente do partido, que se distinguiu pelo sentido de disciplina, rigor e obediência político-partidária, bem como pelo elevado conhecimento histórico-revolucionário de Angola e do MPLA.
Para o partido que sustenta o governo, a morte de Hermínio Escórcio representa a perda de um militante abnegado e intransigente e, pelo infortúnio, o Bureau Político do Comité Central inclina-se perante a memória do nacionalista, endereçando à família enlutada sentidas condolências.
Lê-se na mensagem que Hermínio Escórcio foi um militante convicto e profundamente dedicado à causa e aos ideais do partido, que conquistou, por mérito próprio, o estatuto de membro do Comité Central do MPLA, eleito na Conferência Inter-Regional, realizada em Lundoje, província do Moxico.
Hermínio Escórcio foi coordenador do Comité de Recepção e Instalação da Primeira Delegação do MPLA que chegou a Luanda a 8 de Novembro de 1974. Foi, igualmente, membro da histórica Liga Nacional Africana e integrou a delegação do MPLA às negociações dos Acordos de Lunhamege com o Governo português.
Desempenhou, de “forma exemplar”, várias funções de direcção e chefia no aparelho Central do Estado, destacando-se as de secretário pessoal do Presidente António Agostinho Neto, chefe do Protocolo de Estado e Património da Presidência da República, membro do Conselho da Revolução, deputado à Assembleia do Povo, director-geral da petrolífera Sonangol e membro do actual Conselho de Honra do MPLA.
“Conhecido como exímio diplomata e de refinado perfil humano, o camarada Hermínio Escórcio representou o Estado angolano como embaixador nas Repúblicas da Alemanha, Egipto, Argélia e Argentina. Com fortes inclinações desportivas, o malogrado foi um dos principais mentores da fundação do Atlético Petróleos de Luanda, tendo sido presidente honorário do clube, até à data do seu falecimento”, lê-se no documento.
Governo Provincial de Luanda
O Governo Provincial de Luanda (GPL), também em nota de condolências, manifestou à família enlutada, ao povo angolano e ao corpo diplomático os mais profundos sentimentos de pesar, considerando que Hermínio Escórcio foi uma das figuras nobres da História da Nação.
Por sua vez, o nacionalista Jorge Valentim lamenta a morte do “amigo Hermínio Escórcio”, com quem privou na juventude, ainda no período colonial, na cidade do Lobito, frisando que “é uma enorme perda para o país e a família”, a quem espera que possa encontrar paz e consolo neste momento tão difícil.
“É sempre difícil encontrar as palavras certas nestes momentos. É, para mim, uma grande tristeza saber da morte do Hermínio Escórcio, que foi meu colega na escola primária Rui de Sousa, na cidade do Lobito”, lembrou. Segundo Jorge Valentim, o embaixador na reforma foi um grande nacionalista, homem destemido, que deu uma grande contribuição para a causa da Independência Nacional.
“Deve ser lembrado como um homem determinado que contribuiu, também, para a realização dos nossos grandes ideais. A Nação perde mais um valoroso combatente que se bateu por uma identidade política deste país”, concluiu Jorge Valentim.